Niterói Discos e Niterói Livros podem ser tombados como patrimônio imaterial da cidade

O agora vereador Marcos Sabino (PDT) protocolou um projeto de lei que prevê os tombamentos dos selos Niterói Discos e Niterói Livros, na última quinta-feira (9). As marcas foram reativadas recentemente quando Sabino era presidente da Fundação de Artes de Niterói (FAN), cargo que deixou para assumir o mandato de vereador. Os projetos ‘trintões’, surgiram no governo Jorge Roberto Silveira, em 1990, e fizeram uma significante revolução cultural na cidade, na época.

O texto, protocolado por Marcos Sabino na Secretaria de Mesa Diretora, ainda deverá ser colocado em pauta nas próximas Sessões. O parlamentar destacou a importância cultura dos Selos, e principalmente, da continuidade do trabalho pelos próximos governos.

“São dois selos que já têm um tempo de maturidade muito importante. O Niterói Discos com 30 anos, e o Niterói já completando 30 anos, tem uns 29 anos. E acho que esses dois selos devem ser projetos permanentes, independentes dos governos que se instalem. A política muda, as coisas vão mudando, mas acho que é importante ter a continuidade”, ressaltou, completando que na sua gestão pela FAN, foi lançado um aplicativo que disponibilizou todos os livros em formato digital.

Assim como a recém-lançada sala exclusiva na Biblioteca Parque, onde as pessoas podem ter acesso e conhecer tudo que foi lançado pelo projeto.

“Está tudo preservado, guardado lá. E assim, ampliar isso é de suma importância. A nova geração precisa compartilhar, vivenciar essa experiência de ter seus trabalhos e publicações lançadas, ajudados pelo Poder Público. E por isso que é importante esse tombamento. Acho que os Selos fazem parte do consciente coletivo da cidade. Quando você fala de Niterói Discos e Niterói Livros, as pessoas de fora da cidade conhecem”, disse Sabino, que ainda completou sobre o reconhecimento nacional, e a inspiração para jovens artistas.

“Para você ter ideia, em 2011, o Selo Niterói Discos foi premiado na Festa Nacional da Música, no Rio Grande do Sul, como o Selo brasileiro que mais lançou artistas nacionais. Ou seja, no meio de um mercado enorme de música brasileira, um selo institucional de Niterói foi condecorado com essa premiação. É para a gente entender a importância que tem esse Selo. E não tem nenhum jovem em Niterói, músico, que não conheça esse Selo, e que queira ter o seu trabalho gravado. Então estimula a cadeia produtiva, não só dos músicos, mas dos técnicos em estúdio, dos fotógrafos, dos designers, enfim, todas as pessoas que fazem parte da cadeia produtiva tanto da música quanto da literatura”, concluiu.

A Niterói Discos já produziu mais de 100 discos para artistas da cidade, de variados estilos musicais: Música clássica, samba, chorinho, blues, rock, corais, todos os gêneros foram contemplados. O primeiro LP lançado foi o da banda Os Lobos, uma lenda da cidade que imperou nos anos 60. O processo facilitou para que os artistas buscassem grandes gravadoras para outras produções, além de conseguirem agendar shows e se inserirem no mercado.

Com o Niterói Livros foi um processo semelhante em produções que registraram a história da cidade. O autor recebia uma boa quantidade de livros e divulgava a obra. Entre as publicações que se destacam estão “Araribóia, o cobra da tempestade”, romance histórico ambientado no Brasil do século XVI”, do historiador Luiz Carlos Lessa e “Lili Leitão, o Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói”, de Lyad de Almeida. Ambos são referências.

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