NITERÓI BEATLE WEEK, OU, OS BEATLES VÃO INVADIR A CIDADE DE NOVO

LUIZ ANTONIO MELLO –

 

De 9 a 15 de dezembro, Niterói vai se transformar em uma espécie de Liverpool melhorada, como informa o meu bairrismo altivo, visceral, cara de pau. A cidade vai ter tomada pela Niterói Beatle Week, o maior evento sobre a banda na América Latina. Detalhes no Facebook; é só ir na busca e digitar Niterói Beatle Week.

Os aguerridos organizadores do festival, Rodrigo Bessa, Daniel Bessa e Jessica Abreu vão a Liverpool como quem vai a Varre-Sai, RJ, comprar vinho de jabuticaba e em breve vão estar mais íntimos do Cavern Club do que o nosso Macca, vulgo Paul McCartney.

Nessa terceira edição da NBW vai ser muito maior, mais robusta, mais brilhante, mais sensacional. Serão 600 pessoas trabalhando e tocando; 100 shows em palcos espalhados pela cidade, com 50 bandas daqui e de fora mostrando versões dos Beatles, muitas delas revolucionárias. Sextas e sábados, as 6 da tarde, o programa “A Onda Beatle”, na Rádio AONDA, toca essas bandas. Ouça em www.radioaonda.com.br

Sabe o Clark Gilmour, diretor artístico, o John Lennon oficial do Cavern Club Liverpool? Sim, ele mesmo, o melhor dublê mundial de John Lennon, igualzinho a ele? Vem tocar na Niterói Beatle Week num show que terá abertura da demolidora Bezzouros, daqui da cidade. Ainda a confirmar, a vinda de Julia Baird, meia irmã de Lennon, sete anos mais nova, muito próxima dele e autora do livro “Imagine: Crescendo com o meu irmão John Lennon”.

Se por aí bostejam funk, hip hop e outros excrementos, por aqui chove Beatles, e não é de hoje. O romance escancarado de Niterói com Liverpool começou nos anos 1960.
A beatlemania incendiou a cidade que chegou a ter quase 300 bandas tocando Beatles, etc em bailes despudorados (no bom sentido) nos clubes Regatas, Pioneiros, Central, Marieta, Marajoara.
Era onde muitos casais perdiam, entre outras coisas, alguns quilos nas longas e divertidas horas de dança e nos tórridos amassos atrás de pilastras, cortinas e até embaixo de barcos que dormiam ao relento na areia da Praia de Icaraí. Principalmente quanto tocava “Hey Jude”, “Let it e”, “Something” e outros clássicos mela cuecas, calcinhas e similares.

O saudosíssimo Marcus Heizer ficou anos pesquisando e escrevendo o livro “Liverpool-Cantareira, Rota do Rock” que conta a história das principais bandas deste período, entre elas Os Lobos, os Corsários, Os Ursos, Os Trogloditas, Os Quem, Os Streggas… Niterói já respirava rock e Beatles, uma tradição que se mantém. Você encontra o livro no site Estante Virtual.
A partir do filme “Os Reis do Iê Iê Iê” (1964), que gerou quebra quebra no extinto cinema São Bento (há controvérsias) e “Help” muitos niteroienses resolveram virar um “beatle”.
Botinhas, calça arrochada, aquela gola esquisita de camisa, tudo bem, mas na hora do cabelo lisinho e cortadinho era o quase fim da picada para quem tinha cabeleira bombril, palha de aço, touca de mandril, leão da Metro e outras provocações.
No desespero na busca do “cabelo Beatle” alguns apelavam até para uma fórmula conhecida como “cabeção”: cocô de galinha com Gumex, ou cocô de pombo-correio seco misturado com óleo de máquina de costura Singer, henê tipo Zilda Pó Preto, seiva de babosa, seiva de mamona, azeite de dendê, tudo misturado em panelões e derramado na cabeça das cobaias. O “ritual” acontecia a noite, atrás de um viveiro de pombas no Campo de São Bento (não tinha grades), que mais tarde voltou a ser coreto.

Só que ninguém conseguiu fazer “cabelo beatle”, nem com “cabeção”, ou resistência de torradeira (antepassada da chapinha) por isso celebraram orgasmicamente a chegada de Caetano Veloso, Michael Jackson, Roger Daltrey, Jimi Hendrix, Robert Plant, enfim, quando a vassoura de piaçava dominou o mundo.
A Niterói Beatle Week vai provocar o encontro dessa geração, hoje senhoras e senhores de bom tom (?), com as garotas e garotos de 15, 20 anos que também ouvem e cultuam Beatles, um fenômeno de constante renovação que permanece inexplicado como Plutão, planeta indeciso que entra e sai do armário, a Hidrovita ou o enigma “por que o Mineirinho trocou Niterói por São Gonçalo?”.

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