Niterói: Bares e restaurantes fechados mudam a rotina dos artistas locais

Com bares e restaurantes fechados e a instabilidade do comércio em geral, como estão se virando os cantores, compositores e produtores que trabalhavam com shows nessas casas? Se para o empresário o estabelecimento fechado é sinônimo de prejuízo, uma série de artistas também viram suas rotinas mudarem e os sonhos ficarem para trás.

A cantora Giovana Adoracion, 27 anos, antes e durante a gravidez se apresentava com uma rotina muito grande inclusive com pontos fixos para apresentações e hoje teve que se adaptar assim como tantos outros artistas. “Eu me apresentava em vários restaurantes e tinha agenda a semana inteira. Tinha alguns dias de folga mas a minha renda vinha dessas apresentações. Minha rotina era bem agitada. Com o isolamento eu usei a internet para me movimentar. Na pandemia eu também me tornei mãe e esse foi outro desafio. Hoje eu consegui montar uma rotina de tocar violão, produzir, mandar trabalhos pela internet. Estou lançando vídeos em um canal na internet com releituras de músicas desde românticas ao jazz, tudo de forma autônoma. Também estou planejando algumas lives para ter contato com tempo real com o público. Eu sinto muita saudade disso”, contou.

Ela ainda explicou que apesar da mudança na rotina da sua carreira é a favor do isolamento social. “Sou a favor do isolamento. Eu tenho essa preocupação com meu bebê e não vou expor para a possibilidade de contágio dessa doença. Não temos ideia de quando vamos estar completamente vacinados. Realmente as pessoas não ficam de mascara nos bares. Trabalho também no setor de história da arte e isso também ajuda no meu dia a dia. Meus amigos músicos estão na mesma situação. Estamos todos tentando nos adaptar pois está tudo muito instável e incerto”, completou.

A mesma situação se encontra a cantora Viviane Balbino, 36 anos, que teve que mudar de área e deixou os palcos e as festas de formatura para trabalhar como recepcionista em um hospital. “Me apresentava em casamentos, e igrejas, sempre em eventos, em Niterói e São Gonçalo. Na verdade tive que parar mesmo, pois mediante essa pandemia, até os salões para casamento fecharam. Sou a favor do isolamento nesse momento crítico. Mas não deixei a paixão pela música de lado, eu atualmente tenho um projeto com uma banda que é voltado para MPB, e também ensaiando pra tocar em eventos em geral, no futuro”, frisou.

A cantora e compositora Lídia Luna, conhecida como Luna LaBelle de 39 anos, que tem 25 anos de carreira, usou o período de reclusão por causa da pandemia para intensificar lives nas redes sociais. “Meu esposo dobrou a escala de trabalho como motoboy e o auxílio emergencial ajudou por um período. Continuei me apresentando através da internet fazendo as lives nas redes sociais. Estamos passando por um período muito delicado onde a aglomeração acelera o processo de contágio do vírus, que está cada vez mais letal. Graças a Deus não tive óbitos na minha família por conta do coronavírus, mas perdi amigos, inclusive no meio artístico”, contou.

A produtora artística Camille Siston também viu sua rotina de trabalho mudar completamente. Ela trabalhava há anos com produção artística em uma casa de samba em Santa Rosa e após o dia 14 de março de 2020, cancelou todas as atividades artísticas. A falta de trabalho fez Siston ir morar com parentes por não ter como arcar com o compromisso do aluguel. “Eu sou produtora, sendo assim, tive muita dificuldade de dar uma solução para o ‘desemprego’. Eu parei totalmente, e só após a Lei Aldir Blanc que pude retornar minha atividade enquanto produtora. Minha vida mudou completamente. Tive que encerrar meu contrato de locação e fui morar com minha irmã em Floriaópolis. As dúvidas que atormentam e tiram qualquer um do seu equilíbrio emocional, mas hoje vejo que não vou perder campo”, pontuou.

E dentro do setor artístico teve gente que teve o tipo de trabalho ajudado. “Na verdade a pandemia chegou para me incluir nos eventos literários. Com bebês pequenos em casa, já estava em uma rotina isolada. Me dedicando totalmente a maternidade e produzindo vez ou outra. Quando a Covid-19 chegou, em busca de uma suposta sanidade mental, decidi voltar a produzir, lançar livros e trabalhar em home office. Assim, passei a dividir meu tempo entre meus livros, os meninos e meu trabalho. Voltar a trabalhar era imperativo, já que a literatura, para os autores independentes, não nos traz a liberdade financeira tão sonhada. Quando os eventos literários virtuais começaram a acontecer, foi o meu nirvana! Enfim poderia participar de todos eles. Além de ser convidada para um milhão de lives. E isso é maravilhoso para meus livros e para mim”, finalizou a escritora Roberta de Souza, de 39 anos.

Raquel Morais

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