Nascidos no Carnaval

A modinha infesta a imprensa. É um arrastão de não jornalistas escrevendo e comentando assuntos de seu interesse, pessoal, social ou financeiro.

Como se sabe, o atual governo extinguiu a profissão de jornalista para beneficiar blogueiros, influencers e outros parasitas, a maioria ganhando uma boa grana para passar o dia e a noite difamando quem é contra e lambendo as virilhas do governo.

O governo rasgou o registro profissional de jornalista para quem quer trabalhar em jornal, rádio, site, TV. É como se acabassem com o CRM do médico, CREA do engenheiro, carteira da OAB do advogado. Qualquer amarra cachorro escreve o que quiser, em qualquer lugar onde impera o sub jornalismo, miliciano, venal, déspota, chantagista.

O governo empoderou a imprensa marrom.

Os amadores (e oportunistas) escrevem, preferencialmente, sobre um tema: eles mesmos. É um tal de eu fiz, eu faço, eu fui, citam amiguinhos, patrocinadores velados, como se as suas contas bancárias fossem emergência mundial.

Esse prólogo é para pedir autorização a leitoras e leitores para falar um pouco de mim.

Nasci numa sexta-feira de Carnaval e quem estava lá no hospital conta que nas ruas reinava a maior luxúria momesca. E como a lenda diz que quem nasce no Carnaval já chega no mundo folião, estou nesse grupo.

É uma folia existencial, um desejo de voltar a sair por aí vestido de Clóvis, espalhando e captando ótimas vibrações, virando as quatro noites nas ruas, irresponsável e delirantemente, com pessoas que nunca vimos, mas que a folia transforma em “temporariamente íntimas”.

Parece que foi ontem que Niterói estava cheia de gente nas calçadas, esquinas, principalmente nas noites de Carnaval, mas um tsunami de pijamas, naftalina e vick vaporube empurrou todo mundo para dentro de casa.

As 9 da noite, Icaraí, Santa Rosa, São Francisco, Ingá, Fonseca, Cubango, Região Oceânica se transformam em deserto. Sensação de estado de sítio, toque de recolher.

Trancafiada em casa, gente assombrada pelo medo de viver disfarçado de medo de morrer, ajoelhada em frente a TV. Fobia deprimente, turbinada pela mórbida e decadente presença das lâmpadas de cor âmbar dos postes.

Mas o Rio é logo ali porque para um folião o mundo é logo ali, a lua é logo ali, Marte, Vênus, Júpiter, a vida é logo ali, nem o céu é o limite.

Nada segura o impulso de que se deixa levar pela bruma da folia, nem a corrupção, a inflação, o desemprego, a tirania.

Os nascidos no Carnaval têm direito a esbórnia, a liberdade, a anistia da alma, nem que seja pelos módicos quatro dias que se tornam eternos.

Em tempo: no Brasil, o primeiro registro foi de um antigo folguedo lusitano realizado nos três dias que antecedem a entrada da Quaresma.

Foi em 1533 com a chegada dos primeiros colonos portugueses à Capitania de Pernambuco, no Brasil Colônia.

A festa da aclamação de D. João, em 1641, promovida pelo governador Martim Correia de Sá, no Rio de Janeiro, também é considerada uma precursora do carnaval brasileiro.

No Rio de Janeiro, tanto os escravos quanto as famílias de origem europeia participavam da festa.

Os “limões de cheiro”, bolas de cera que levavam em seu interior água e, em alguns casos, urina, eram arremessadas das janelas nos passantes.

O Carnaval de rua do Rio de Janeiro é designado pela Guinness World Records como o maior carnaval do mundo, com aproximadamente três milhões de pessoas por dia.

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