Nanci e Rafael do Gordo estão em planilha apreendida pela Lava Jato

Anderson Carvalho –

Na planilha descoberta pela força-tarefa da Operação Lava Jato na última quarta-feira (20) na casa do deputado estadual Edson Albertassi (PMDB), com nomes de parlamentares que indicaram pessoas para cargos no Governo do Estado, tem os que foram indicados pelo atual prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci, e o ex-deputado estadual Rafael do Gordo (PMDB), hoje secretário de Habitação da cidade. Segundo a força-tarefa, a planilha revela como cargos públicos eram distribuídos para atender o esquema de corrupção no Governo do Estado.

De acordo com a planilha, Nanci – que foi deputado estadual pelo PPS por dois mandatos (2011-2014 e 2015-2016), até ser eleito prefeito – tinha três cargos indicados no Centro Social da Fundação Leão XIII, no Centro Integrado da Criança e do Adolescente Portador de Deficiência da FIA (Fundação para a Infância e Adolescência) e no Centro Comunitário de Defesa da Cidadania da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

Procurado, o prefeito respondeu, através de assessoria, que enquanto deputado, compôs a base do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). E conseguiu muitas coisas para São Gonçalo dessa forma. Reformas de espaços, emendas parlamentares e outras. Não tem nada no documento que desabone a sua conduta.

O governo estadual informou que não tem conhecimento da planilha e que o preenchimento das vagas segue critérios técnicos e de confiança dos gestores da administração estadual.

Também procurado, Rafael do Gordo não foi localizado. Ele foi um dos deputados com maior número de indicações. São oito cargos indicados no Detran e três na Faetec, em São Gonçalo. Já em Niterói, o deputado tem quatro cargos indicados no Detran. Ao lado das indicações de Rafael, aparecem a palavra “manter”.

Para investigadores, o documento que estava num computador do parlamentar demonstra como deputados acusados de integrar uma organização criminosa que dominou o estado mantinham o controle rigoroso sobre nomeações de cargos no governo. A mesma planilha também servia para monitorar votos de aliados, interferir em leis ou investigações, segundo a força-tarefa e ela servirá como prova de que os parlamentares operavam uma “barganha” com cargos. O documento continha 880 vagas de seis órgãos públicos estaduais distribuídas pelos 92 municípios fluminenses. Os registros apreendidos datam de 2015.

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