Na primeira sexta 13 do ano, a inflação de quase 13% é o pesadelo do brasileiro

A sexta-feira 13 ficou mundialmente famosa na cultura popular por causa de filmes de terror, além de significar o azar ou a má sorte. Apesar das superstições, o cenário real do Brasil com a maior variação da inflação para o mês de abril em 26 anos, assusta os brasileiros nos mercados, e principalmente nos postos de gasolinas. Foi divulgado durante a semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,06% no último mês. Em março, a alta foi de 1,26%.

Em 2022, o IPCA acumula alta de 4,29%, com a inflação saltando para 12,13% no acumulado em 12 meses. Ou seja, o maior aumento desde outubro de 2003 (13,98%). Por causa disso, o salário-mínimo perdeu o poder de compra, caindo para 1,7%. Será a primeira vez, desde o plano real, que um presidente da República terminará um mandato com o vencimento valendo menos do que quando entrou.

Dessa forma, o “Dragão” da inflação retornou para atormentar a vida do cidadão, depois de quase 30 anos. E sendo alimentado principalmente pela alta dos combustíveis, que acarretou em mudanças na chefia da Petrobras em abril, e mais recentemente, no Ministério de Minas e Energia. Adolfo Sachsida, que assumiu a pasta no lugar de Bento Albuquerque. Além disso, a alta na categoria de alimentos e bebidas em 2,06%, assusta os consumidores, ainda mais nas compras do mês, que ficaram mais caras.

O preço do óleo de soja subiu espantosamente em 8,24% no último mês

Morador de Maria Paula, Mateus Alves afirmou para A TRIBUNA, que a inflação tira o sono do brasileiro, e é o pesadelo de muita gente. Para o vendedor de 25 anos, comprar o básico está cada vez mais difícil, e aponta que vários fatores contribuíram para o momento atual.

“Os preços cada vez mais altos, principalmente dos alimentos, estão tirando o sono de muita gente. Para mim, esses aumentos são consequências de choques na economia global, como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevaram o preço das commodities. Contudo, se houvesse uma gestão mais competente durante a crise sanitária, o cenário atual poderia estar bem menos devastado”, disse.

O fantasma da década de 1980 das prateleiras vazias voltam a aparecer, onde deveria ter feijão

Servidora pública de 60 anos, Walkiria Pessanha compartilha do mesmo pensamento, e complementa que o desemprego também é um fator importante. Entretanto, para ela, os preços praticados nos mercados também são abusivos.

“A inflação está presente o tempo todo na vida das pessoas. Sentimos no bolso o peso do aumento do arroz, da carne, do combustível, etc. Mas também há valores abusivos de todos os produtos”, ressaltou.

Segundo o IBGE, a gasolina foi a vilã da inflação no último mês, sendo o subitem com maior peso no IPCA, com 6,71%. Contudo, as altas em abril do leite longa vida (10,31%), batata-inglesa (18,28%), tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%) preocupam quem precisa colocar comida dentro de casa.

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Aumento de aproximadamente 10% no preço do tomate se tornou a hora do pesadelo do consumidor

No costume popular, a sexta-feira normalmente é considerada um dia de azar, porque foi quando Jesus foi crucificado. E o 13 é considerado o número do infortúnio. Por isso, é considerado o mais azarado dos dias. Entretanto, os últimos anos no Brasil parecem os mais azarados e desastrosos.

Victor Andrade

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