Na briga contra aplicativos, taxistas de Niterói pressionam em Brasília

Wellington Serrano –

Doze taxistas de Niterói seguiram em carreata rumo à Brasília no início da semana e ficarão pela Capital Federal até que a votação do projeto, que regulamenta o transporte remunerado privado individual de passageiros, aconteça. O movimento, que conta com trabalhadores de todo o país, defende e pede a aprovação conforme decisão da Câmara dos deputados.

Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas de Niterói (SindTáxis), Paulo Franco, os quatro carros que viajaram, na última terça-feira, vão se juntar aos outros taxistas de todo país para pressionar os senadores para que aprovem em regime de Urgência o PLC 28/2017.
“Enquanto o projeto não for votado em regime de urgência eles (os taxistas de Niterói) não tem data prevista de volta. Não vamos desistir a ideia é nos juntar e pressionar mesmo”, disse o presidente.

Segundo ele, a regularização do transporte privado de passageiros pela internet deve ser igual para todos. “Não queremos uma lei em que só a Empresa Americana não concorda com a regulamentação, preferem deixar os seus ‘parceiros’ em regime de trabalho escravo, apenas com obrigações sem nenhum direito trabalhista”, afirmou Franco.

No Facebook uma arrecadação em forma de ‘vaquinha’ foi feita para tentar viabilizar a estadia dos taxistas que estão em Brasília. “Contamos com a contribuição espontânea de todos os taxistas, familiares de taxistas, usuários de táxi e apoiadores do transporte legalizado. Obrigado a todos seguidores da página e nas redes sociais”, disse o taxista Isaias Gobbi, do movimento Taxistas Unidos do Brasil.

SOBRE A VOTAÇÃO
O Senado tinha previsão de votar o PLC 28/2017 ontem, mas o projeto não entrou na pauta e segue parado na Secretaria de Atas e Diário aguardando a inclusão na Ordem do Dia, através de requerimento. O projeto regulamenta os serviços prestados por aplicativos como Uber, 99, Cabify e outros. A proposta já foi aprovada em abril pela Câmara dos Deputados e ela é composta por uma série de regras para o funcionamento.
O taxista Rubem Edson diz que, se aprovada, a medida trará mais segurança à categoria. Segundo ele, a categoria quer apenas trabalhar de forma justa e honesta.

“Nós estamos na expectativa de votação do PLC 28, que vem para regulamentar os aplicativos. Nas últimas reuniões de Brasília, houve mudanças na proposta e essas mudanças vão acabar com o serviço de táxi no Brasil inteiro. São mudanças que deixam os serviços de aplicativos tão livres que a gente não consegue ter uma concorrência equilibrada”, enfatizou.

Conforme divulgado pelas redes sociais milhares de taxistas de outras regiões também participem do ato. Além do SindTáxi, o movimento tem apoio de outras associações e trabalhadores. De acordo com o motorista, Paulo Batista, o lucro dos taxistas caiu mais de 50% e o número preocupa muito a classe. “Eu sou taxista há 7 anos, mas existem colegas que trabalham há muito mais tempo e não têm como trabalhar com outra coisa. São pessoas mais velhas, que não podem voltar a estudar para se realocar no mercado de trabalho. O que a gente quer é justiça e trabalhar de forma igual”, explicou.

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