Muro cai e mata servente de obras em São Gonçalo

Aline Balbino

A tragédia já era anunciada desde 2012 e na tarde desta terça-feira (25) aconteceu. O servente de obras Ricardo Paiva da Silva, de 27 anos, morreu após ficar preso em escombros de um muro de contenção, que caiu sobre seu corpo no Condomínio Bella Vista 1, no Arsenal, em São Gonçalo. Ele era um dos funcionários da empresa de engenharia Seel, contratada para construir o muro de sustentação no conjunto habitacional. A obra começou em agosto. O acidente aconteceu por volta das 11 horas, no momento em que Ricardo e outros serventes de obras e engenheiros construíam um muro numa área de risco no condomínio.

Ricardo ainda chegou a gritar pedindo para que todos saíssem do local, inclusive outros empregados e moradores. Todos se salvaram, menos ele. Seus amigos de trabalho correram para tentar retirar os escombros de cima do corpo do servente, mas não havia mais tempo. Ele faleceu na hora. O Corpo de Bombeiros chegou a ser chamado.

O empreendimento faz parte do Programa Minha Casa, Minha Vida e abriga vítimas das chuvas de 2010 que ficaram sem casa, como moradores do Morro do Bumba. Com a queda do muro, cinco blocos do condomínio foram interditados pela Defesa Civil Municipal e cerca de 150 pessoas foram retiradas de suas casas.

Segundo moradores, o incidente aconteceu quando Ricardo usava uma máquina para fincar estacas na terra. O equipamento teria estremecido a terra, fazendo-a deslizar e atingindo o muro. Moradores ficaram assustados, crianças choravam com a movimentação e, por todos os lados, viam-se pessoas recolhendo pertences para deixar os apartamentos interditados.

“Eu vi ele morrer. Ele gritou para todo mundo sair, mas não deu tempo dele mesmo sair. Foi horrível. Estou grávida de nove meses e em desespero. Gente, ele morreu. Eu vi tudo caindo em cima dele. Agora não sei para onde ir. Estou em desespero”, disse a moradora Gabrielle Aparecida.

Problema antigo
Outra moradora que preferiu não se identificar informou que avisou a Defesa Civil dos riscos de deslizamentos de terra em 2012 e que uma equipe foi ao local e não constatou nenhuma irregularidade. Moradores explicaram que cinco blocos foram construídos próximos a um barranco. Eles procuraram a Caixa Econômica e a Defesa Civil para a realização de um muro de contenção. Havia o risco de um deslizamento de terra, que poderia gerar a queda dos cinco prédios.

“Um amigo meu da Defesa Civil disse para eu pegar minha família e sair daqui. Ele disse que estava proibido de dizer que havia riscos. Mas ele me avisou. Eu não tinha como sair porque não tenho para onde ir. Já sofremos com as chuvas de 2010. Não aguentamos mais viver outra experiência de trauma”, disse.

A Seel lamentou o falecimento do funcionário. A empresa informou que se solidariza com a família da vítima, que está prestando total assistência e que estão conduzindo as investigações e análise do ocorrido.

A Polícia Civil informou que foi instaurado procedimento na 75ª DP (Rio do Ouro) para apurar as circunstâncias do acidente. O delegado Leandro Aquino da Silva determinou que o fato fosse registrado como homicídio culposo. O trabalho de perícia ainda não foi concluído. A Prefeitura informou que uma equipe da Defesa Civil esteve no local logo após o acidente, deu suporte e interditou os blocos. A Caixa Econômica foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *