Municípios tentam se reerguer após estragos das chuvas

A destruição causada melas chuvas do último final de semana, onde cinco pessoas morreram no Rio de Janeiro, e mais de 600 ficaram desalojadas em municípios da Região Metropolitana, continua deixando rastros. Passados alguns dias do temporal, a palavra reconstrução nunca fez tanto sentido para quem perdeu casas, móveis, documentos pessoais e toda uma história. Em Rio Bonito 593 pessoas ainda estão desalojadas e o município está em Situação de Emergência. Com isso, a Prefeitura poderá requisitar o Aluguel Social ao Governo do Estado.

O município da Região Metropolitana mais atingido foi Rio Bonito, onde 593 pessoas estão desalojadas e ouras 21 desabrigadas. Segundo nota da Prefeitura, ainda existem 11 pontos da cidade que estão sendo monitorados pela Defesa Civil, pois correm o risco de desabamento nos bairros Bosque Clube, Basílio, Centro, Cidade Nova e Praça Cruzeiro. Os moradores foram abrigados na Escola Municipal José Reis, no Centro, e na Creche Municipal Sheylle Mary Abdalla, no Parque das Acácias, e algumas escolas ainda estão sem aulas.

Em São Gonçalo 14 pessoas ainda estão desalojadas dormindo em uma igreja no Salgueiro. Elas estão aguardando o nível diminuir para voltarem para casa. O último relatório apontou 48 vistorias, 23 pontos de alagamentos, seis deslizamentos e rolamento de blocos, 15 danos estruturais, dois desabamentos de muros e duas quedas de árvores.

Já em Maricá, de acordo com o Serviços de Obras de Maricá (Somar) 1,2 mil operários atuam em diversos locais utilizando 20 máquinas retroescavadeiras, que são usadas desde limpeza à desobstrução de ruas. A região de São José de Imbassaí, especificamente a Rua 31 de Março, está recebendo intervenções. Entre as ações, na Estrada Real de Maricá, equipes trabalham na abertura de um córrego com cerca de 200 metros de extensão, para drenar a água acumulada que atingiu o loteamento Vilar Maricá.

Já as prefeituras de Itaboraí e de Niterói não se manifestaram sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

CINCO MORTES NO RIO

No Rio de Janeiro cinco pessoas morreram desde o último fim de semana: Flávio G. da Silva, de 40 anos, foi soterrado em casa no bairro do Tanque, na zona Oeste; Vânia R. Nunes, de 75 anos morreu após uma descarga elétrica na Estrada do Tindiba na Taquara; Mizael P. Xavier, de 62 anos, morreu soterrado na Estrada Feliciano Sodré em Mesquita; Welington Ferreira, de 40 anos, se afogou ao tentar salvar uma família em Acari; e Matheus Oliveira, de 21 anos, foi arrastado por uma enxurrada em Queimados.

O engenheiro civil, Júlio César da Silva, que é chefe do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explicou que a cidade do Rio de Janeiro não tem um planejamento de uma cidade inteligente.

“Realmente, as chuvas que caíram neste fim de semana foram de grande intensidade. Porém, mais uma vez a cidade se mostrou despreparada para reagir rapidamente ao evento. Temos uma cidade pouco sustentável e pouco resiliente, estamos muito longe de um planejamento de uma cidade inteligente. A população não foi devidamente informada e preparada para a magnitude deste evento chuvoso. O IBGE apresentou um estudo inédito no fim de novembro de 2019, onde mostravam as áreas de susceptibilidade ao escorregamento de encostas. Este estudo mostra que mais de 50% do estado do Rio tem susceptibilidade máxima de escorregamento. Além disso, precisamos ter uma cidade mais permeável para minimizar o risco de alagamentos. Cidades ‘esponja’ já são realidades no mundo”, explicou.

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