Mundo e um só pedido: a vacina contra a Covid-19

O planeta sofre com a pandemia da Covid-19. Mais de 715 mil pessoas perderam suas vidas e já foram mais de 19 milhões de casos. A expectativa é que seja encontrada a vacina para imunizar todos os seres humanos. Atualmente, seis vacinas estão em fases de testes: três da China, uma da Inglaterra e outra dos EUA.

Niterói está inserida no contexto da esperança de se conseguir uma vacina segura. Desde a última quinta-feira (6), os profissionais de saúde que trabalham no município podem se candidatar voluntariamente para participar da fase 3 dos testes do laboratório chinês Sinovac Biotech. O estudo é coordenado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e tem por objetivo avaliar a eficácia e a segurança da vacina contra o novo coronavírus.

O estudo será conduzido com o apoio da Fundação Municipal de Saúde de Niterói, onde serão realizados o recrutamento e acompanhamento de pacientes na Policlínica Dr. Sérgio Arouca e no Hospital Municipal Oceânico. A expectativa é recrutar cerca de 850 voluntários na cidade.

A Sinovac divulgou os resultados da fase 2 em junho, com cerca de 600 voluntários. Os resultados foram considerados positivos e não houve efeitos adversos preocupantes. Segundo a empresa, 90% dos pacientes desenvolveram a resposta imune esparada. Entretanto, os dados ainda não foram publicados em formato de artigo científico.

A tecnologia utilizada pela Sinovac é amplamente conhecida para o desenvolvimento da vacina. Ela utiliza o vírus inativado para treinar o sistema imunológico. Este é considerado o método mais conhecido para vacinar e utilizado para imunizar pessoas no mundo inteiro há décadas.

Já a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, conta com o suporte da farmacêutica AstraZeneca. Esta vacina já foi apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como aquela com as pesquisas mais avançadas no mundo. Ela também já passou por duas fases de experimentos, que atestaram sua eficácia e segurança para humanos.

Na segunda fase, 1.077 voluntários participaram e não apresentaram efeitos adversos preocupantes. Os efeitos colaterais apresentados foram resolvidos com paracetamol. Todos os pacientes desenvolveram anticorpos e céluas T contra o coronavírus após a segunda dose.

A vacina de Oxford não possui similar na História em uso em humanos. O método consiste em utilizar um adenovírus causador de resfriado alterado para ser incapaz de causar doenças em humanos. Ele recebe uma parte do material genético do coronavírus para manifestar a proteína Spike, utilizada pelo coronavírus para ligar-se às células e causar a infecção. O organismo pode desenvolver a resposta à proteína sem precisar entrar em contato com o vírus real. A vacina de Oxford já está em operação e o Brasil é um dos países participantes, com 2 mil da área de saúde.

A ótima notícia é que, caso os estudos forem finalizados com sucesso, a vacina poderá ter sua distribuição iniciada já em dezembro deste ano, segundo Danilo Guimarães, membro do departamento de Life Sciences and Healthcare da Embaixada Britânica no Brasil.

“A proposta de iniciar a distribuição em dezembro é factível com os estudos da fase 3 dando certo e se finalizando até o meio de outubro”, declarou Guimarães.

A Sinopharm é outro laboratório chinês que avançou seus testes para a fase definitiva após as fases iniciais trazerem resultados satisfatórios.

Esta vacina chinesa foi experimentada em 1.120 voluntários, que também receberam duas aplicações da vacina em diferentes doses. Após 28 dias da primeira aplicação, os pesquisadores perceberam 100% de seroconversão dos pacientes, o que significa que todos os vacinados tinham os anticorpos desejados ao final do ciclo. Os testes também desta vacina também não foram publicados em formato de artigo científico ainda.

O método é o mesmo utilizado pela Sinovac, que testará os profissionais de saúde de Niterói, usando o vírus inativado para gerar resposta imune contra a Covid-19. A pesquisa também já entrou na fase 3 de testes, com a aplicação em voluntários nos Emirados Árabes.

De acordo com a imprensa estatal chinesa, a vacina da Sinopharm tem grandes chances de estar pronta para imunização em dezembro deste ano, superando a expectativa inicial de que a homologação da vacina se daria apenas em 2021.

A empresa americana Moderna fez um grande alarde com sua vacina. O laboratório anunciou resultados satisfatórios nas fase 1 e 2. O governo dos EUA injetou aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para acelerar o desenvolvimento de vacinas, mas por enquanto ainda não houve um acordo de fornecimento com o país. Já há conversas com outros países para vender sua possível vacina, tendo recebido cerca de US$ 400 milhões (o que equivale a cerca de R$ 2,1 bilhões) em depósitos.

Na última quarta-feira (5), o laboratório Moderna anunciou que cada dose de sua vacina terá o custo de US$ 32 a US $37, o equivalente a cerca de R$ 170 a R$ 196.

A Moderna também aposta em uma tecnologia inédita para a sua vacina, utilizando RNA mensageiro para gerar imunidade nos voluntários. O objetivo é aplicar material genético no corpo para que o próprio organismo produza as proteínas virais, induzindo a resposta imunológica.

A empresa CanSino Biologics é outra do ramo farmacêutico que já começou a fase 3 de testes. Os resultados da fase 2 foram publicados na revista científica The Lancete saõ considerados animadores. A fase 2 envolveu testes em 500 pessoas em Wuhan, o epicentro da pandemia mundial de Covid-19.

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