Mulheres provam que o tempo do ‘sexo frágil’ ficou para trás

Camilla Galeano

Lugar de mulher é onde ela quiser! Independente da profissão que escolher. Mas elas ainda enfrentam dificuldade em determinadas áreas. “Mulher só sabe pilotar fogão”, “Lugar de mulher é dentro de casa”, “Você não vai conseguir, isso é para homem fazer”, são algumas das frases que elas escutam quando resolvem desenvolver atividades consideradas masculinas. Se for uma posição de liderança, a aceitação é ainda menor. Ainda assim muitas mulheres quebraram essas barreiras e conseguiram alcançar a profissão dos seus sonhos. Na segunda-feira (8) é comemorado o dia internacional da mulher. Mas elas não querem flores um dia do ano. Elas querem respeito o ano todo. É o caso de Luana, de 29 anos, soldadora; Yasmin Belizário, de 27 anos; piloto de navio; e Monique, de 34 anos; cabo na Polícia Militar. Com muita luta e impondo respeito, elas foram vencendo os desafios do preconceito e alcançando seu espaço na profissão escolhida.

“Eu fiz o curso de soldadora em um projeto do Estaleiro Aliança, em Niterói, que qualificava os jovens para trabalharem na área metalúrgica. Me destaquei entre alguns jovens e fui contratada. Confesso que não foi fácil me inserir em uma profissão dominada pelo sexo masculino. Enfrentei machismo, ouvi muitas piadas, Mas consegui driblar as dificuldades, me qualifiquei e fiquei empregada por 6 anos”,explica Luana.

A dificuldade da Luana não foi só para exercer a profissão, a luta contra o preconceito começou já na hora de concorrer a uma vaga.

“Realmente, uma mulher competir vaga de emprego na área da construção e montagem é extremamente difícil. As empresas de recrutamento não dão oportunidade às mulheres achando que são incapazes de realizar o trabalho. A área é carente de profissionais qualificados e muitas mulheres não têm oportunidade”, desabafa.

Mulher que exerce a profissão em prol de outras mulheres. É o caso da cabo Monique, de 34 anos, que atualmente trabalha na Patrulha Maria da Penha, no 12º Batalhão, em Niterói. Casada com um também policial militar, mãe de duas crianças e um adolescente, Monique, foi inspirada por uma outra policial.

“Tudo começou há nove anos, quando eu vi a tenente-coronel (na época, capitã) Pricilla Azevedo, dando entrevista sobre a ocupação do Morro Santa Marta. E aquilo me chamou atenção. Uma mulher ocupando uma posição de comando sendo tão respeitada. Fiquei pensando que queria fazer o mesmo”, conta.

Na Polícia Militar do Rio de Janeiro, o efetivo feminino não chega a 9%. Monique conta que, apesar de ser uma profissão com maioria masculina, ela sempre foi respeitada por onde passou.

“Tudo é questão de você se impor. Por mais que o machismo exista. Eu nunca passei por nenhuma situação que considere constrangedora. Sempre mantive a postura e com isso conquistei o respeito de todos”, explica.

Para a cabo, não desistir é a única solução.

“O mais importante é ter foco. Mesmo as mulheres que têm dupla jornada assim como eu tinha. Aproveitava qualquer tempo vago para estudar. Muitas cuidam da família e trabalham. Mas vençam o cansaço e não percam a determinação em alcançar qualquer profissão que desejar”.

Algumas mulheres foram influenciadas e incentivadas por homens, como é o caso de Yasmin Belizário, que pensava em fazer medicina, mas foi influenciada pelo pai a fazer um curso preparatório militar ainda na adolescência.

“Meu pai é chefe de máquinas e trabalhava em navio. Eu cresci naquele meio, minhas férias eram a bordo. E há quase 10 anos ainda não tinham mulheres como tripulantes. Quando meu pai me colocou no curso, meu irmão já era militar. Eu via o orgulho dos meus pais com ele e queria ter o mesmo”, lembra.

Yasmin decidiu bem jovem o que queria para sua vida profissional, mas não fazia ideia do que enfrentaria.

“Escolhi minha profissão com 16 anos, e com 17 passei para a Marinha. E não parei mais. Exerço a profissão desde 2013”.

Os desafios foram surgindo ao longo do percurso, mas não fizeram Yasmin desistir.

“Riam de mim. Um comandante já me fez tirar serviço na chuva dentro do barco.

Sem falar nas piadas machistas. Eu sinto que, por ser mulher, preciso mostrar constantemente que sou melhor que os homens. Tenho que mostrar que tenho valor. Atualmente, por exemplo, sou a única mulher a bordo”, explica.

Ela confessa que não é fácil estar confinada em um lugar onde você tem que medir o que pensa, o que pode ou não ser.

“Vou levando como posso e trabalhando minha mente pra aprender coisas boas, porque tem pessoas boas também, é isso que levo”.

Yasmin deu uma dica importante

“Não desistam dos seus sonhos, mas tenham um planejamento pra ele. Porque temos que ter ciência do que queremos e acima de tudo ter saúde mental para encarar os desafios”.

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