Mulheres militares no Segurança Presente: pontos positivos e negativos

Na última quinta-feira (17), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o texto que prevê a contratação de mulheres egressas das Forças Armadas, para o Programa Segurança Presente. A reportagem de A TRIBUNA conversou com o professor e pesquisador Doriam Borges, da UERJ, que analisou pontos positivos e negativos para a medida.

Do lado positivo, Borges afirma que a presença de mulheres nas forças de segurança pode significar a iminência de uma transformação na dinâmica do Segurança Presente. Além disso, o professor e pesquisador aponta que isto também pode ajudar a imagem do programa perante a população.

“A Operação Segurança Presente ser reforçada por mulheres tem a vantagem justamente no fato de elas serem mulheres. Absorver quadros femininos dentro dessa operação. Isto é positivo em vários sentidos, dentre eles o fato de as mulheres representarem um vetor de transformação, seja na estrutura interna do programa, nos rumos do trabalho e na imagem do programa junto á população”, afirmou.

Entretanto, do lado negativo, o professor alerta para uma ampliação da militarização das forças de segurança, por conta do fato de as novas agentes serem egressas das Forças Armadas. Para Doriam Borges, isto fortalece uma “perspectiva de guerra” no que diz respeito ao planejamento do policiamento.

“Por outro lado a gente vê também uma desvantagem, que não é pelo fato de elas serem mulheres, mas por serem egressas das Forças Armadas. Fortalece o trabalho da militarização da força pública e também fortalece que toda política de segurança deve ser feito de uma forma militarizada, o que vem de uma perspectiva de guerra”, prosseguiu.

Por fim, Borges destaca que o projeto acaba por impedir que mulheres da sociedade civil sejam incluídas no planejamento da segurança pública. “Sem contar que não traz oportunidade para outras mulheres da sociedade civil participarem de um projeto de segurança pública. Falta diversidade e um entrosamento com a sociedade civil”, completou o professor.

O projeto

Segundo o texto, somente agentes com Registro de Certificado de Formação do Vigilante poderão ser selecionadas para o “Segurança Presente”. Além disso, a ficará a cargo do Poder Executivo a regulamentação da contratação. O Governador Cláudio Castro (PL) deve decidir até o dia 11 de abril se veta ou sanciona o projeto de Lei.

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