Muito amor envolvido: Dia Internacional da Síndrome de Down é comemorado neste domingo [21]

O Dia Internacional da Síndrome de Down é comemorado neste domingo (21) e um dos grandes desafios que os pais vêm enfrentando na pandemia é como conseguir manter a atenção dos pequenos em todas as atividades que precisam ser feitas em casa: tarefas escolares, acompanhar o aprendizado do programa escolar on-line e ainda garantir o aproveitamento integral dos atendimentos remotos de terapeutas ocupacionais, educadores, psicólogos e fonoaudiólogos. Muitas vezes, a criança se sente exausta, ainda mais porque a mudança repentina da rotina, não poder mais ir à escola e conviver com os amigos, que vem se prolongando por meses, traz ansiedade e, consequentemente, alteração significativa no estado emocional.

Michele Gomes de Sá, como ela mesma diz, além de mãe, se tornou todas as profissionais que fazem os tratamentos da Valentina de Sá Vicente, de 4 anos.

“Eu tento me virar em casa, né? Virei fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, professora, tentando suprir o que Valentina precisa. As profissionais que atendem ela têm todo um preparo, uma técnica, que ajudam ela a aprender. Também acho que ela observando outros colegas aprende com mais facilidade”.

Michele diz que Valentina sente muita falta da escola

Para Michele, a maior dificuldade foi no comportamento da Valentina, que sentiu muita falta da escola e do convívio com os coleguinhas.

“Ela tinha uma vida escolar ativa. Na escola ela tinha muitas atividades de interação. Então de repente ficar em casa foi um baque para ela. Ela fica querendo colocar o uniforme, arrumar a mochila, se passamos próximo ao colégio, ela pede para ir”, explica.

“O ensino remoto não tem a mesma interação. Nem todos os conteúdos ela consegue acompanhar. Esse ano até que estão adaptando um pouco melhor, porque ano passado foi difícil”, completa.

A quarentena tem sido realidade na vida da Valentina há um ano. Michele explica que ela não se adaptou ao uso de máscara e por esse motivo elas só saem de casa quando precisam ir a alguma consulta.

“A rotina da máscara é uma tortura pois até hoje ela não aceita usar. Estamos vivendo uma quarentena mesmo, sem visitas, sem festas. Acho que deveriam liberar a vacina para o nosso grupo de crianças”, pede Michele.

Valentina sempre pede para colocar o uniforme da escola

No caso da Júlia Simões, de 14 anos, a mudança repentina na rotina trazida pela quarentena, não foi tão assustadora.

“A Júlia é bem tranquila. Percebi que ela se adaptou bem. Acredito que ela tenha sentido falta da escola no início, mas eles tiveram um papel fundamental ao criar um ambiente virtual só para ela e o professor. As aulas individuais ajudaram no desenvolvimento dela. Nesses momentos, eu podia perceber o quanto ela estava confortável e confiante em si mesma”,explica Claudia Simões, mãe da Júlia.

Júlia está conseguindo encarar a quarentena com o apoio da família

Em casa, o ambiente de interação com a família faz com que o período de quarentena seja menos sofrido. Mas Claudia reconhece que a convivência com os amigos é fundamental para o aprendizado da Júlia.

“Não foi uma experiência ruim para ela, mas tanto meu marido quanto eu percebemos que ela precisa se socializar e estar perto das amigas que têm a mesma idade. E que ela precisa vivenciar a escola, por isso, optamos pelo retorno dela às aulas presenciais”.

Claudia faz um alerta importante para quem acha que a vacina é o passaporte para que tudo volte ao normal.

“Creio que a vacina não muda a questão de usar ou não máscaras, até onde tenho a informação, mesmo vacinadas, as pessoas continuam tendo que usar máscaras e com as mesmas condutas de distanciamento”.

Os pais e a irmã da Júlia são fundamentais para que a ansiedade da quarentena seja amenizada

A psicóloga Talitha Nobre, explica que o coronavírus mudou a rotina de todos, e a criança, diferente do adulto, não possui um vasto repertório psíquico para lidar com a frustração que essa mudança de rotina trouxe.

“É natural que a criança faça alguns sintomas de ansiedade, ou tenha alguma alteração no comportamento, Ficando mais irritadiça, por exemplo. Se pensarmos em crianças com down, como há uma limitação nas habilidades cognitivas, elas podem ficar ainda mais vulneráveis nesse cenário de confinamento”.

Amenizar a ansiedade na atualidade é um desafio real, principalmente das mães especiais. Mas Talitha dá uma dica.

“Uma forma de melhor lidar com esse cenário é tentar manter uma rotina. Isso pode ajudar a melhorar a organização psíquica para a criança. Tem que estimular com brincadeiras, desenhos, jogos, trabalhar com texturas como massinhas, geleias. Lembrando que o amor e o contato humano são sempre uma estratégia importante no desenvolvimento infantil”.

Apesar de muitos terapeutas terem adaptado o atendimento de maneira virtual, e alguns até estão atendendo a domicílio, Talitha acredita que a participação dos pais tem sido fundamental nesse processo.

“Claro que é um desafio, mas ir construindo espaços de interação com a criança em casa torna-se fundamental. Então criar um espaço seguro, onde a criança se sinta confortável, e possa desenvolver atividades junto com os pais pode ajudar muito nesse momento. Juntos, pais e filhos, podem descobrir novas formas lúdicas de interação. E quando o estresse estiver muito alto, tentar algumas saídas seguras como uma volta de carro para que a criança possa ver um cenário diferente do habitual, ou uma cabaninha em casa, bem aconchegante, onde ela possa ficar sempre que se sentir mais agitada. Cada criança é singular, precisamos estar atentos ao que possa trazer conforto a criança e assim poder investir nessa direção”, explica.

Camilla Galeano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 2 =