Mudança de Projeto de Lei poderá mudar estutura de academias e studios de exercícios

Raquel Morais

Uma mudança no Projeto de Lei 4667/16 foi proposta em audiência pública na Câmara dos Deputados Federais, e tramita na esfera política, onde aguarda ser votada em duas comissões temáticas e por último na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O PL quer que estabelecimentos envolvidos com atividades físicas tenham um posto médico habilitado, para ressuscitação cardiopulmonar e atender casos de urgência, segundo nota. Mas entidades se uniram contra essa medida e propuseram, na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços Câmara dos Deputados, a revisão dessa normativa.

O projeto inicial é de autoria do deputado Francisco Floriano (DEM-RJ) que justifica que “a medida “é crucial para a sobrevivência de vítimas de parada cardiorrespiratória”. Ainda de acordo com o informe o autor cita casos publicados na imprensa de mortes súbitas ocorridas em academias e argumenta que o atendimento rápido, sob fiscalização da vigilância sanitária, pode evitar os óbitos.

Mas Associação Brasileira de Academias (Acad), Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Conselho Federal de Educação Física (CFEF) e de sindicatos das academias estão contra a medida. De acordo com nota, o presidente da Acad, Gustavo Borges, fez um apelo aos parlamentares para que a proposta não seja aprovada. ‘O atleta argumentou que leis com essa atrapalham o setor, que ao ser obrigado a instalar uma estrutura médica em suas unidades, pode gerar o aumento dos custos, promover o desemprego e reduzir o acesso de pessoas à atividade física’.

O especialista em treinamento de força, Felipe Fagundes Moore, 28 anos, é dono da Life Studio Personal, em Icaraí, e também se mostrou contra a mudança. “É insustentável essa medida, o que acarretaria um gasto muito grande para o empresário, que consequentemente teria que repassar isso aos alunos, com aumento do preço das matrículas. Sempre exigimos um atestado de aptidão física para os alunos, de qualquer idade, e além disso damos suporte o tempo todo das atividades”, apontou. A aposentada Haidee Silva, 73 anos, é exemplo disso. “Eu estou sempre sendo vigiada e monitorada. Medem minha pressão arterial, ficam de olho no meu desenvolvimento durante o exercício e toda atenção”, apontou.

Segundo nota os estudos nacionais mostram que quase 60% da população ativa brasileira se exercita ao ar livre e a real incidência de morte súbita no esporte é desconhecida no país. No mundo, estatísticas apontam que a cada 100 mil habitantes, morrem 30 pessoas de forma súbita. Se a pessoa pratica atividade física, a incidência cai para 2,1 mortes a cada 100 mil habitantes. “Entendemos que esta implantação é desproporcional, porque vai representar na verdade um empecilho à disseminação da atividade física”, defendeu professor Luiz Carnevali, mestre e doutor em Ciências pela USP.

O cardiologista Leonardo Luna, sócio da DoctorSafe, explicou que no caso de uma parada cardiorrespiratória, geralmente o paciente tem 10 minutos para que ainda tenha chance através de socorro para ser ressuscitado. Além disso as chances chegam próximo a zero %. “Vamos perdendo 10% das chances a cada minuto”, acrescentou.O também cardiologista Vitor Mussi, da rotina de emergência do Hospital Icaraí, no Centro, acrescentou que o mais importante no atendimento de uma vítima em Parada Cardiorrespiratória é a própria identificação da parada. “Em seguida é preciso ajuda com o Desfibrilador Externo Automático para dar início imediatamente as manobras de Compressões Torácicas alternadas com Ventilação, enquanto aguarda a chegada do suporte avançado de vida”, completou.

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