MS alerta: são 43 amputações diárias no Brasil por conta do diabetes

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Com o objetivo de realizar um trabalho de conscientização neste Dia Mundial de Combate a Diabetes (14/11), o Ministério da Saúde divulgou novos dados acerca da doença. Foram registradas no Brasil 43 amputações de membros inferiores por dia, de acordo com registros do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro e agosto deste ano. Somados, são 10.546 amputações feitas pelo SUS a um custo de R$ 12,3 milhões. Houve um aumento de 5,26% tendo em vista que, no mesmo período do ano passado, os dados eram de 10.019 amputações de membros inferiores a um custo de R$ 11,6 milhões. As cirurgias aconteceram devido a complicações causadas pela doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) este cenário poderia ter uma grande melhora com cuidados preventivos. De acordo com a instituição, cerca de 60% das amputações de pés e pernas acontecem devido a falta de precauções com a doença. O diabetes causa perda da sensibilidade e ferimentos podem evoluir para o chamado pé diabético, chegando aos casos graves de gangrena que necessitam de amputação. Em 85% dos casos, o problema aparece como uma ulceração nos pés, ou seja, uma lesão nos tecidos, que pode ser tratada.

Por estes motivos, pacientes diabéticos devem observar qualquer sinal nos pés como frieiras, bolhas, ferimentos e calos. Secar os pés com cuidado após o banho como manter a pele hidratada, utilizar meias de algodão e sapatos fechados. Tais atitudes ajudam a manter saúde e a evitar problemas.

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Com isso, podem ocorrer altas taxas de glicose no sangue que levam a complicações cardíacas, nas artérias, olhos, rins e nervos, podendo inclusive ser fatal.

A prevenção do diabetes é feita com a prática de hábitos saudáveis, como comer diariamente verduras, legumes e frutas; reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras; parar de fumar; praticar exercícios físicos regularmente; e manter o peso controlado. Os fatores de risco para a doença envolvem questões genéticas e também pressão alta, colesterol alto, alterações na taxa de triglicérides, sobrepeso, doenças renais crônicas, mulher que deu à luz criança com mais de 4kg, diabetes gestacional, síndrome de ovários policísticos, distúrbios psiquiátricos como esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar, apneia do sono e uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

Os principais sintomas do diabetes são fome e sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia. No diabetes tipo 1, pode ocorrer também perda de peso, fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náusea e vômito. No tipo 2, são sintomas também formigamento nos pés e mãos, infecções na bexiga, rins, pele e infecções de pele, feridas que demoram para cicatrizar e visão embaçada. O tratamento do tipo 1 da doença é feito com injeções diárias de insulina e pode ser recomendada medicação oral. Para o tipo 2, o tratamento dependerá do grau da doença e pode envolver remédios para impedir a digestão e absorção de carboidratos ou que estimulam a produção de insulina. O tratamento e acompanhamento do diabetes é oferecido gratuitamente pela atenção básica do SUS.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o Brasil soma atualmente mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença. Os dados da Federação Internacional de Diabetes mostram que no ano passado 463 milhões de adultos viviam com diabetes no mundo, sendo que metade não foi diagnosticada. A estimativa é que o número chegue a 700 milhões em 2045. Em 2019, a doença causou 4,2 milhões de mortes no mundo e pelo menos US$ 760 bilhões em gastos com saúde, o que equivale a 10% dos gastos totais com adultos.

Diabetes é fator de risco em relação a Covid-19

Um estudo feito no início da pandemia no Brasil mostrou que os pacientes de diabetes negligenciaram os cuidados por causa do isolamento e das medidas restritivas. A pesquisa ouviu 1.701 pacientes entre os dias 22 de abril e 4 de maio e os resultados foram publicados em agosto no periódico científico Diabetes Research and Clinical Practice.

Participaram do levantamento pesquisadores e médicos de diversas instituições, entre elas a International Diabetes Federation, ADJ Diabetes Brasil, Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Universidade de São Paulo (USP), Pan African Women in Health (PAWH), Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Hospital do Rim e Hipertensão de São Paulo.

Outra pesquisa foi iniciada em setembro pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), com o objetivo de analisar o autocuidado em diabetes e resiliência na pandemia pelos brasileiros. Podem participar as pessoas com diagnóstico de diabetes, de ambos os sexos, maiores de 18 anos e que residam no Brasil. O formulário está disponível em https://bit.ly/DIABETESvid.

De acordo com cientistas ingleses e australianos há indícios de que o novo coronavírus também possa causar diabetes em quem não tinha. Por iniciativa da King’s College London, da Inglaterra, e da Monash University, da Austrália, foi criado o projeto internacional CoviDiab Registry que reune dados globais sobre diabetes e covid-19. Para os especialistas, uma daas questões a serem elucidadas é se o diabetes causado pelo Sars-Cov-2 persiste após a cura da infecção, ou se pode se tornar mais um fator de risco para pacientes com tendência à doença.

“É plausível que o Sars-Cov-2 possa causar várias alterações coexistentes do metabolismo da glicose, que podem complicar a fisiopatologia do diabetes pré-existente ou levar a novos mecanismos da doença. Existem, de fato, precedentes para uma etiologia viral para diabetes com tendência à cetose”, informa o projeto.

Do total, 95,1% dos entrevistados reduziram a frequência de saídas da residência e 91,5% passaram a monitorar a glicose no sangue em casa. Foi relatado aumento, diminuição ou maior variabilidade nos níveis de glicose por 59,4% dos participantes, 38,4% deles adiaram consultas médicas e exames de rotina e 59,5% diminuíram a atividade física.

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