MPF pede inquérito para apurar tragédia no Museu Nacional

Anderson Carvalho

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro pediu ontem à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar a causa e a responsabilidade no incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio, que pegou fogo na noite do último domingo. O pedido foi feito pelo procurador da República no estado, Sérgio Suiama. Este contou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estava tentando entendimento com o Corpo de Bombeiros de todo o país estabelecer regras de prevenção e combate a incêndios em museus federais.

Segundo o MPF, o procedimento relativo ao Museu Nacional começou a ser feito há dois anos. Ontem, o Iphan divulgou nota manifestando indignação com o ocorrido. “A indignação resulta da maneira como a Memória Nacional vem sendo tratada pelo Estado brasileiro ao longo de sucessivos governos, sempre insensíveis a um olhar estratégico e prioritário para com a Cultura. A presidente do Iphan, no âmbito das competências institucionais, já está no Rio de Janeiro para, além de acompanhar a situação, atuar na elaboração de estratégias para o processo de resgate e recuperação do que for possível”, disse um trecho da carta.

O presidente Michel Temer criou uma rede de apoio para viabilizar a reconstrução do museu, com a participação da Febraban, vários bancos públicos e privados, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Vale e a Petrobras. Uma das alternativas seria usar a Lei Rouanet para financiar a iniciativa.

A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, da Prefeitura do Rio, interditou o prédio do Museu Nacional após o incêndio, devido a risco de desabamento na parte interna. Na área externa, contudo, devido à espessura das fachadas, não há risco iminente. As causas do incêndio serão apuradas pela perícia. A pasta tinha começado no último dia 15 treinamento de combate a incêndio, com 20 funcionários do museu. A ideia era formar 200 funcionários até o fim do ano.

Segundo os bombeiros, o incêndio teve início por volta das 19h30min. O fogo só foi controlado após as três horas da manhã. A parte interior foi praticamente toda destruída e em vários trechos, o teto desabou.

História
Criado em 1818 por D. João VI, o museu completou 200 anos em junho. O palácio foi doado por um comerciante ao então príncipe regente em 1808, e depois tornou-se a residência oficial da família real no Brasil entre 1816 e 1821. Foi lá que a princesa Leopoldina, esposa de D. Pedro I, assinou a declaração de independência do Brasil em 1822. Anos depois, também sediou a primeira Assembleia Constituinte da República, entre novembro de 1890 e fevereiro de 1891, que marcou o fim do império. No acervo, peças históricas como o fóssil humano mais antigo encontrado no país, a Luzia; a primeira coleção de múmias egípcias da América Latina e o Bendegó, o maior meteorito já encontrado no Brasil, no século XVIII, entre outras 20 milhões de peças. É vinculado à UFRJ.

Denúncia antiga
Em novembro de 2004, o então secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, constatou irregularidades durante a visita ao museu, como fiações expostas, mal conservadas e alas com infiltrações. Na ocasião, afirmou que o prédio corria risco de um incêndio.

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