MP começa ouvir depoimentos de amigos e familiares de João Pedro

O Ministério Público do Rio começou a ouvir na manhã da segunda-feira (01/06) os depoimentos de parentes e amigos do jovem João Pedro Mattos, de 14 anos, que morreu atingido por um tiro de fuzil durante operação policial na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 18 do mês passado.

Os depoimentos estão sendo prestados para promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp). O inquérito que apura o fato foi aberto pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG), mas como a família do jovem é representada pela Defensoria Pública do Estado, os depoimentos estão sendo colhidos pelo MP. A DHNSG aguarda laudos de confronto balístico para determinar se o projétil de fuzil calibre 5.56 partiu de uma das três armas de policiais apreendidas na semana do crime. Uma reprodução simulada será realizada, mas ainda não tem data marcada.

Na tarde de domingo (31) manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado, para participar do ato “Vidas Negras Importam”, em protesto contra a violência policial nas favelas e pela morte de João Pedro e de outros dois jovens, nas comunidades do Chapadão, em Costa Barros, e Borel, na Tijuca, na Zona Norte.

O ato terminou em confusão com a Polícia Militar. Os agentes jogaram bombas de gás e usaram spray de pimenta nos manifestantes. Houve muita correria nas ruas próximas ao Palácio Guanabara. 

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Polícia Militar, o patrulhamento em frente ao Palácio Guanabara foi feito por agentes do 2º BPM (Botafogo) e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão. Em nota, a Secretaria confirmou que a manifestação estava transcorrendo de forma pacífica e acrescentou que “na dispersão um grupo mais exaltado começou a arremessar pedras no Palácio Guanabara e nos policiais militares”. Ainda segundo a nota, um manifestante conseguiu entrar no Palácio e danificou uma viatura.

“Naquele momento, houve necessidade de fazer o uso de instrumento de menor potencial ofensivo para conter os manifestantes. Na ação uma pessoa foi encaminhada para a delegacia”, completou.

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