Motoboys ameaçam parar no dia 1º de julho

No início de maio dezenas de motoboys fizeram uma manifestação no Centro de Niterói para cobrar melhores condições de trabalho. Agora a categoria está aumentando a visibilidade do protesto e marcou para o próximo dia 1º de julho uma paralisação nacional que terá representação em Niterói e São Gonçalo. Os motociclistas reclamam das empresas de delivery, que segundo eles, pagam taxas muito baixas para a entrega de produtos, além de pedirem mudanças nos sistemas que bloqueiam os trabalhadores sem justificativa; além de inclusão da categoria para recebimento do auxílio dos R$ 500 da Prefeitura de Niterói.

Os motoboys reclamam que a taxa de deslocamento é feita somente no trajeto entre empresa-cliente, sem levar em conta combustível e distância. Também existem ‘ganchos’ que os motoboys levam das empresas em caso de algum problema, como por exemplo a demora na entrega. Em Niterói a concentração será às 9h em frente a Estação das Barcas, no Centro da cidade, e de lá os trabalhadores vão se espalhar por cinco pontos do município: nas próprias Barcas, na Rua Gavião Peixoto, na Rua Miguel de Frias, em São Francisco e na frente do Plaza Shopping. Em São Gonçalo a concentração será na Praça dos Ex-Combatentes, no bairro Patronato, também às 9h.

O motoboy Rafael Simões, 37 anos, explica que apesar das dificuldades da profissão se sente importante em trabalhar nesse momento.

“Temos passado por chuva, sol, vírus nessa grande pandemia e o mundo parou. Mas a categoria é uma classe muito desvalorizada. As pessoas olham para a gente como pessoas analfabetas mas ali são chefes de família. Pessoas de todas as profissões trabalham de motoboy como alternativa para uma renda e uma esperança. Nós estamos passando por dificuldades na rua. Não temos um lugar para beber água, para ir no banheiro, por exemplo. Mas me sinto muito valioso em servir nesse momento. A pessoa está dentro de casa e as vezes a única pessoa que vê é o motoboy”, desabafou.

O colega de profissão Berlinck Rocha, de 27 anos, morador de São Gonçalo, disse que vai participar da paralisação.

“Me sinto muito prejudicado em algumas questões. Já fui bloqueado por 48 horas por um erro que nem meu foi. Nós não temos uma comunicação muito clara com as empresas. As taxas são muito baixas e o tempo de espera é muito grande. As vezes temos uma família ou um aluguel para pagar”, explicou.

Dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Niterói) apontam que em Niterói o serviço de delivery aumentou em 150%. O aumento do trabalho dessa categoria motivou a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) a montar uma cartilha de orientação para a execução desse trabalho. A necessidade de limpeza frequente do capacete, guidão, manetes e demais partes da moto que tenham contato com as mãos é um dos itens mais destacados pela publicação. A higienização pode ser feita com água e sabão, álcool 70% (líquido ou gel) ou água sanitária. Manter distância mínima dos outros usuários da via na fila formada quando o trânsito parar; e também não dar caronas. Os motoboys devem dar preferências para a utilização de compartimentos de transporte com material liso e lavável, de fácil limpeza. Ao chegar em casa, é recomendado que as mochilas e bolsas de uso diário do entregador devem ficar em uma caixa, fora da residência. As roupas e calçados também devem ser retirados ainda na área externa e levados para lavagem.

“Os motoboys são fundamentais para a estratégia coletiva de isolamento social. Sem o auxílio desses trabalhadores, que arriscam a própria saúde na tarefa de levar e trazer inúmeros pedidos e encomendas, seria ainda mais difícil para a população aderir às orientações das autoridades sanitárias de evitar aglomerações”, afirmou o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.

POSICIONAMENTO DAS EMPRESAS

Em nota a Rappi informou que reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca continuamente o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida a eles. Além disso, o valor de frete da Rappi varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido. Ainda, a Rappi possibilita que os clientes deem gorjeta aos entregadores por meio do aplicativo de forma segura. E nas últimas semanas, a empresa identificou um aumento de 50% no percentual de pessoas dando gorjeta, principalmente aos finais de semana. Os valores, na média, cresceram 80%. Em algumas semanas, cerca de 50% dos pedidos foram feitos com gorjetas. Destacamos que todo valor pago no aplicativo a título de gorjeta é integralmente repassado ao entregador.

A Loggi informou que todos os entregadores cadastrados na plataforma têm conhecimento prévio dos valores ao aceitarem uma rota, demonstrando assim sua concordância. A Loggi reforça que está sempre aberta ao diálogo e é a favor da livre manifestação, desde que respeitado o direito de ir e vir de todo cidadão.

Já o iFood e Uber Eats foram procuradas pela reportagem de A TRIBUNA para comentar o caso mas não se manifestaram até o fechamento dessa edição. A empresa James Delivery também foi procurada através de contato telefônico mas a reportagem não conseguiu ser atendida. A Prefeitura de Niterói foi questionada sobre o assunto mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

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