Mostra cultural permite reflexão sobre a cultura da periferia

Marcelo Rezende abriu no último sábado (16) a exposição “Potências periféricas”, com curadoria de Mário Camargo, no Espaço Cultural Correios, em Niterói. São obras em grandes dimensões, que levam ao público experimentações pictóricas a partir da cultura periférica. O potencial criativo e estético do artista objetiva valorizar e criar um diálogo da cultura da periferia com o centro da cultura nacional. A técnica empregada por Marcelo é assemblage de sua própria pintura e outros materiais.

Estas pinturas são resultado de pesquisas e desenvolvimento deexperimentos muito particulares de Marcelo Rezende, que já apresentou exposições no Brasil e no exterior. Nesta produção, ele utiliza técnicas de transferência espacial de matéria pictórica e cria, portanto, novos campos visuais. “Os trabalhos desta série têm origem na pesquisa da cultura periférica e seu potencial criativo e estético, com o intuito de valorizá-los e trazê-los para o centro, fomentando diálogos e novas percepções sobre a cultura que nasce no entorno, principalmente nas grandes metrópoles como o Rio de Janeiro. Os subúrbios, sua arquitetura e seu modo de vida também são foco desta exposição”, explicou o artista.

A arquitetura do subúrbio, a estética kitsch, a cultura, a religião e os hábitos são abordados nas obras de “Potências periféricas”. A criatividade dos ambulantes com suas caixas de isopor decoradascom fitas adesivas, por exemplo, é tema de dois trabalhos. “Historicamente percebe-se que o Centro deve mais à periferia do que a periferia ao centro e isto ficou mais evidente com a internet e outras novas tecnologias, que amplificam e aceleram o processo de troca ao ‘viralizarem’ conteúdos. Essa influência acontece na música, na dança, na culinária e em outras manifestações
culturais”, pondera Marcelo.

As obras de Marcelo Rezende mostram uma releitura da realidade. “Situações mutantes, voos rasantes são as formas que Marcelo constrói o seu microcosmo pictórico. A experiência vivida no velho continente se mistura com a realidade das periferias brasileiras, impregnadas de simplicidade e sabedoria popular. Estes conceitos o influenciam da mesma maneira que Picasso se deixou influenciar pela arte africana”, garante o curador.
Uma exposição instigante, real, importante e com belas obras, que promovem o discurso e proporcionam ao espectador a contemplação e novas percepções sobre a cultura que nasce nos arredores.

Nascido em São Gonçalo, Marcelo, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou artes na Escola Riesbach em Zurique – Suíça e formou-se em Desenho Industrial e Marketing. Atualmente, participa de oficinas na EAV Parque Lage com o Prof. David Cury, e desenvolve um processo muito particular de produção artística que envolve pintura em campo ampliado e técnicas de transferência de material pictórico na criação de campos visuais. Os trabalhos do artista são relacionados a questões políticas e sociais. Os mercados, as mídias e a publicidade, inseridos em contextos reais e imaginários, também estão muito presentes em suas obras, onde marcas e personagens ganham outros significados e dão significados a outras formas. A cultura dita periférica com suas cores, formas e signos é o ponto de partida dos seus trabalhos atuais.

A mostra estará disponível para visitação de 18 de junho a 18 de agosto de 2018, de segunda a sábado, das 11h às 18h, excetos feriados. O Espaço Cultural Correios, em Niterói fica na Av. Visconde do Rio Branco, 481 no Centro de Niterói. Mais informações pelo telefone (21) 2622-3200.

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