Mosquitos do Bem chegam a São Francisco

Raquel Morais –

Nesta quarta-feira (26) 60 mil mosquitos Aedes Aegypti com Wolbachia foram soltos em São Francisco. A ação faz parte do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem objetivo principal substituir a população dos mosquitos transmissores pelos que têm a bactéria, e reduzir transmissão dos vírus da dengue, Zika e chikungunya. Estudos em outros países apontam que essa medida também corta a transmissão da febre amarela, o que está sendo analisado no Brasil. Em cerca de 60 dias mais ‘mosquitos do bem’, como são conhecidos, serão liberados em outros bairros como Centro, Icaraí, Ingá e na Região Oceânica.

O carro com os depósitos dos mosquitos percorreu todo o bairro da Zona Sul. Cada copo tinha 150 mosquitos, que foram liberados a cada 50 metros, totalizando 400 pontos de soltura. “O projeto tem o objetivo de substituir a população de mosquitos que não tem wolbachia para os que têm. Ela é uma bactéria que vive dentro da célula desses animais e passa na reprodução. O mosquito fica imune para transmitir doenças. Terminamos as solturas em Jurujuba no início de 2016 e mais de 80% dos mosquitos têm o wolbachia”, explicou Gabriel Silvestre, coordenador de entomologia da Fiocruz. Essa análise é feita através de uma armadilha que é deixada na casa de algumas pessoas. “Usamos para monitoramento da frequência do wolbachia naquele território. Os mosquitos são analisados individualmente”, completou o especialista.

Questionado sobre a possibilidade de redução da febre amarela, Gabriel informou que existe um estudo científico sobre a doença em outros países. “Foi comprovado que o Aedes com Wolbachia não transmitia também a febre amarela. Como esse problema está se disseminando há pouco tempo no Brasil, precisamos de fazer um ensaio de laboratório com o vírus do Brasil. Temos quase certeza e precisamos provar cientificamente no nosso país, mas tudo leva a crer que existe a redução dessa doença também”, reforçou Gabriel.

Segundo a Fiocruz, o método é seguro e sem qualquer risco para a população, animais e o meio ambiente. Além disso, não utiliza nenhum tipo de modificação genética. A expansão chegará ao Rio de Janeiro em breve. “Estamos bastante otimistas com esta expansão do projeto, pois teremos a oportunidade de trazer mais um método à população para reduzir a incidência dessas doenças transmitidas pelos mosquitos, agora em maior escala”, finalizou Luciano Moreira, pesquisador e coordenador geral do projeto no Brasil,

NÚMEROS
Em Niterói, nos primeiros três meses de 2017, foram 151 casos notificados de dengue. E não existem casos confirmados de zika e a chikungunya. A Secretaria de Saúde de São Gonçalo informou que de janeiro até a última segunda-feira foram notificados 956 casos suspeitos de dengue, 171 de chikungunya e 560 de zika. Já a Secretaria de Saúde de Itaboraí divulgou que na cidade foram constatados entre janeiro e 25 de abril oito casos de dengue, três de chikungunya e nenhum caso de zika. Questionada, a Prefeitura de Maricá não se manifestou até o fechamento dessa edição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

nove + 17 =