Mosquito modificado chega a mais bairros de Niterói

Wellington Serrano –

As ruas dos bairros de Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira, em Niterói, receberam nesta quarta-feira (22) um importante aliado no combate a Dengue, Zika e Chikungunya: o próprio Aedes aegypti modificado, que está sendo chamado de mosquito do bem. O Projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” teve início ontem com a liberação do Aedes com a bactéria Wolbachia, na região de Praia de Baía da cidade.
Essa é a etapa mais aguardada do método inovador e natural que reduz a transmissão dos vírus da Dengue, Zika e Chikungunya. As liberações dos mosquitos acontecem após a conclusão das etapas de comunicação e engajamento comunitário, que levam informação e dialogam com a comunidade visando tanto a disseminação do conhecimento sobre a metodologia quanto o esclarecimento de dúvidas.

Os bairros da Zona Sul receberão os mosquitos com Wolbachia periodicamente durante alguns meses, dependendo da forma de liberação de mosquitos determinada para cada área. Além desses bairros, outros da região de Praia de Baía e toda a Região Oceânica de Niterói também receberão o Projeto, dando sequência à expansão no município para o ano de 2017.

A escolha de Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira dá continuidade à implementação realizada em Jurujuba do projeto-piloto que acontece desde de fevereiro.

“Estamos bastante otimistas com esta expansão do Projeto, pois teremos a oportunidade de trazer mais um método à população para reduzir a incidência dessas doenças transmitidas pelos mosquitos, agora em maior escala”, ressalta o pesquisador e coordenador geral do Projeto no Brasil, Luciano Moreira.

Segundo o pesquisador, o projeto-piloto realizado em Jurujuba deu a base necessária ao desenvolvimento do plano para a expansão, desde a implementação de um modelo de aceitação pública, o aperfeiçoamento da logística, de materiais, até a otimização dos processos de criação dos mosquitos e à integração de novos dados informatizados.

Morador há 14 anos na Rua Oscar Pereira, Carlos Alessandro, de 35 anos, disse que viu um carro da Fiocruz liberando os mosquitos em sua rua bem cedo, às 7 horas. “Eles (pesquisadores da instituição) passaram por aqui. Através da imprensa estou acompanhando os serviços que estão fazendo em nosso bairro e estou torcendo para que deem certo, pois temos muitas crianças na rua que podem correr o risco da doença”, realça.
Mesma opinião da figurinista Manoela Pessoa de Castro, de 36 anos, que trabalha na Rua Madre Maria Vitória. “Não conheço a fundo o assunto, mas toda tentativa para se eliminar as doenças são bem-vindas”, afirma.

Formas de liberação
O Projeto utiliza duas formas de liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia: a primeira é a liberação de mosquitos adultos em vias públicas e a segunda é a liberação de Aedes com Wolbachia através do Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), um recipiente fechado (semelhante a um balde com tampa) onde os mosquitos se desenvolvem.

Os DLOs são colocados em áreas públicas e/ou propriedades privadas nos bairros que colaboram com a iniciativa. No interior do DLO há ovos de Aedes aegypti com Wolbachia, água e alimento para as larvas que vão nascer. Cerca de sete a dez dias após a instalação, os mosquitos já estarão adultos e voarão para fora, por meio dos furos existentes no dispositivo. É importante ressaltar que o DLO não possui produtos químicos ou tóxicos.

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