Mortandade de peixes assusta turistas e moradores

Wellington Serrano –

A moradora do bairro Pindoba, em Maricá, Ivanilda Francisco Gomes, pergunta à equipe de reportagem de A TRIBUNA: “Por que há tantos peixes mortos na Lagoa e na Praia das Amendoeiras?”. Ela havia saído de casa e, assim como o fenômeno do Lagomar que acontece na cidade, ficou logo sabendo da mortandade de peixe nesta quinta-feira (05). Acionado, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que equipes do órgão irão aos locais hoje para realizar a vistoria e análise da qualidade da água.

“Logo assim que botei o pé na rua ouvi falar que estava assim, é horrível. Nunca imaginei que pudesse haver algo assim. O cheiro é horrível. Eu achei que limpassem a lagoa com mais frequência”, afirmou.

Na principal peixaria da cidade, a caixa do estabelecimento, Martha Silva, disse que o movimento foi normal, apesar das imagens dos peixes mortos chocarem os moradores e turistas. “Alguns clientes que costumam caminhar no local reclamaram e alguns turistas não acreditaram no que estavam vendo. É muito descaso”, lamentou.

Logo após as denúncias de moradores, a Prefeitura foi até os locais e constatou a mortandade de centenas de peixes na Lagoa de Maricá, nos bairros de São José do Imbassaí e Boqueirão. Com o objetivo de apurar as causas e solucionar o problema, a Secretária de Cidade Sustentável, além de monitorar o local, encaminhou um ofício para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), solicitando a presença de representantes do órgão para a realização de análise da água da região.

Segundo o secretário da pasta, Helter Ferreira, ainda é cedo para emitir um parecer sobre o que provocou a morte acentuada de peixes. “Nós ainda não temos nenhum indício que permita apontar a causa ou as causas para essa mortandade de peixes”, afirmou Helter.

“O Inea, que é o órgão competente, já foi devidamente acionado e, por isso, é necessário aguardar as devidas análises, pois devemos ter a consciência de que esse fenômeno já vem acontecendo há alguns anos”, completou.

O secretário revelou que a Prefeitura vai estudar medidas que permitam algum tipo de amparo aos pescadores, que em decorrência desta fatalidade estão sendo impedidos de trabalhar.

Pescador há mais de 30 anos, Genival Pedro dos Santos, morador de São José do Imbassaí, confirmou que a mortandade de peixes é reincidente e vem ocorrendo todos os anos, mas que se surpreendeu, pois foi a primeira vez que esse fenômeno aconteceu no mês de outubro. “Todo ano isso acontece, mas normalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Em outubro é a primeira vez”, afirmou Genival, que desconfia que a escassez de chuva possa ter causado a mortandade. “Trata-se um grande número de peixes mortos, especialmente corvina, robalo e tilápia. Nós pescadores não estamos descartando nenhuma possibilidade como mudança de temperatura, esgoto, pouco oxigênio, mas a princípio, nesse primeiro momento, nossa principal suspeita é essa falta de chuva”, explicou o pescador.

Adilson Azevedo, pescador e morador da beira da lagoa há 30 anos tem outra teoria sobre a possível causa da morte dos peixes e arrisca uma solução para o problema. “Eu e outros pescadores acreditamos que a obra que está sendo feita no canal de Ponta Negra pode ter ocasionado a mortandade dos peixes. Inclusive, antes do inicio da obra já tínhamos feito esse alerta“, contou Adilson. “Eu notei que os peixes estavam aparecendo mortos já tem uns três dias e isso prejudica muito nós pescadores, pois não podemos pescar e não conseguimos vender nossos peixes”, lamentou. “Uma alternativa seria a abertura do Canal de São Bento no Recanto com o objetivo de renovar a água da lagoa e talvez evitar mais peixes mortos”, sugeriu o pescador.

O secretário de Conservação, Adelso Pereira, até o fechamento da edição não disse quantas toneladas de peixes foram recolhidas. “A equipe da Secretaria de Conservação iniciou a limpeza. Já mobilizamos pessoal e equipamentos, alguns equipamentos especiais para a equipe que vai entrar na água, pois não sabemos ainda se há risco de contaminação”, explicou ele, que pediu ajuda da população e principalmente dos pescadores com a suas experiências e expertises. “Precisamos da participação de todos que puderem nos ajudar. Vamos trabalhar intensamente para concluir essa limpeza o mais rápido possível”, garantiu o secretário.

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