Mortandade de peixe chama atenção na Região Oceânica

Raquel Morais –

A Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, amanheceu ontem com milhares de peixes mortos. A mortandade lembrou o episódio da semana passada na Lagoa Rodrigo de Freitas, quando foram retiradas mais de 89 toneladas de peixe morto. Biólogos explicaram o fenômeno natural, que é agravado pelas altas temperaturas, típicas do verão, e que são potencializadas com a ação poluente causada pelo ser humano. A Prefeitura de Niterói explicou que técnicos estão averiguando o ocorrido e a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) realizou a limpeza da área. Porém, a quantidade de peixes não foi divulgada pela administração municipal.

Os pescadores contaram que os peixes mortos começaram a aparecer por volta das 8h de ontem e entre as espécies identificadas, em maiores quantidades, destacaram robalos, piraúbas e paratis. O biólogo Joel Soares explicou que o fenômeno é natural e acontece, principalmente em lagoas, mas pode ser agravado com lançamento de esgoto na lagoa associado à temperatura elevada.

“Com o calor acontece a reprodução em maior quantidade de fitoplâncton e quando morrem ficam depositados no fundo dessas lagoas. A decomposição desse fitoplâncton por bactérias anaeróbias gera gás metano, que acaba sendo tóxico aos peixes. Quando diminui a temperatura, a água da superfície fica menos densa e é mais fácil a água do fundo, rica em metano, subir e matar os organismos desse ambiente, explicou.

O também especialista em Gestão Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ressaltou que esses peixes não devem ser consumidos. A teoria é confirmada na prática por pescadores que estão acostumados com esse fenômeno. O pescador Bartolomeu Luís, de 57 anos, disse que esse índice grande de mortalidade desses animais prejudica muito a pesca.

“Vamos ficar um período grande sem pescar e isso é muito ruim. Não podemos comer esses peixes e muito menos vender, então é torcer para o equilíbrio da lagoa acontecer logo”, comentou. O motorista Marcelo Ribeiro, de 47 anos, aproveitou esse período para pescar. “Acho que os peixes ficam mais ariscos. Fico triste de ver tanto peixe morto”, lamentou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × quatro =