Morre fundador da Acadêmicos do Cubango

Raquel Morais

O fundador da Acadêmicos do Cubango, Ney Ferreira, morreu na manhã desta quinta-feira (01) aos 78 anos. Nascido e criado no Morro do Abacaxi, no Cubango, Zona Norte de Niterói, Ney marcou a história do samba na cidade e será sepultado hoje, no Cemitério Maruí, às 10h, justamente no Dia Nacional do Samba. Durante toda a madrugada, a quadra da agremiação, na Rua Noronha Torrezão, recebeu centenas de componentes da escola durante seu velório, que foi marcado por muita emoção por toda diretoria e familiares.

“Há cerca de nove meses ele estava com a saúde mais fragilizada e com problemas renais, além da diabetes e hipertensão. Acho que foi um somatório e eu sou só tristeza. Perdi meu marido, um amigo e um grande companheiro”, lamentou a esposa há 35 anos, Rita de Cássia Santos, de 55 anos. A escola decretou luto oficial de três dias e no carnaval 2017 terá um momento de homenagem durante o desfile que contará a história do sambista João Nogueira. “Perdi um amigo, compadre e irmão que eu não tive. São mais de 50 anos de amizade”, comentou o membro do Conselho Soberano da Cubango, Rogério Belisário, 73 anos.

Ney teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e chegou a ser levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), mas faleceu por volta das 9h. Ele também sofria de Alzheimer e de diabetes. “A partida do Ney foi inesperada e está sendo muito sentida por nós, cubanguenses. Tínhamos uma relação de pai e filho. Ele falava que eu era o sucessor dele na escola. E sempre brincava comigo dizendo que enquanto eu estivesse à frente da Cubango ele poderia dormir tranquilo. Ele confiou em mim o seu legado ao mundo do samba: a Acadêmicos do Cubango, uma escola de samba de raiz. E assim como ele, eu vou continuar a dar o meu sangue por essa agremiação. Ferreira saiu de cena para entrar na história de Niterói e do mundo do samba”, explicou o presidente da escola Olivier Pelé.

Ney Ferreira fundou o escola em 17 de dezembro de 1959 e foi presidente da Cubango por 31 anos (de 1961 a 1989 e de 1996 a 1999). Depois de ganhar seis campeonatos em Niterói migrou para o Rio onde começou no Grupo 4 do carnaval e hoje desfila na Série A, na Marques de Sapucaí. Ainda segundo nota da escola foi o carnavalesco da Cubango de 1960 a 1966 e obteve grande sucesso, já que levou a verde e branca do segundo para o primeiro grupo de carnaval da cidade de Niterói. Os carnavais de 1960 e 1961 atuou como carnavalesco ao lado da sua mãe, conhecida como Mãe Tiana e atualmente era o presidente do conselho soberano da Acadêmicos do Cubango e vice-presidente da União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói. “Essa foi uma perda pra cidade e para o samba. Ele contribuiu muito pro carnaval da cidade e até os últimos dias lutou pelo retorno do carnaval na Avenida Ernani do Amaral Peixoto. Aprendi muito com ele”, lamentou André Nogueira, presidente da União.

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