Morcego morto por raiva é encontrado no Horto

Raquel Morais –

No mês passado foram encontrados dois morcegos no Horto do Fonseca, na Zona Norte de Niterói, e após análise do Laboratório de Virologia do Centro Estadual de Pesquisa em Sanidade Animal Geraldo Manhães Carneiro (CEPGM), o resultado foi positivo para Raiva. A descoberta chamou atenção para os casos da doença em todo Estado do Rio de Janeiro, já que no ano passado, de todas as análises feitas no laboratório, 30% apresentaram o diagnóstico da doença. Nesse ano o índice se encontra perto dos 20%. Especialistas também comentam a importância da vacinação antirrábica nos cachorros e gatos para evitar a transmissão da doença.

A análise, que foi feita pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado o Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), mostrou que os dois morcegos são do gênero Artibeus (morcegos que consomem principalmente frutos, folhas e partes florais) e, segundo nota do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), embora não sejam animais agressivos podem morder caso se sintam acuados, transmitindo a doença para animais domésticos e humanos.
“No laboratório nós examinamos os animais e fizemos o diagnóstico da raiva. É fundamental manter a vacinação nos animais em dia para evitar transmissão da doença”, contou a pesquisadora Leda Kimura.

O veterinário Marcelo Ribeiro Lago, especialista em animais silvestres e exóticos, explicou que a raiva não é uma doença erradicada e é muito perigosa, sendo fatal para animais e seres humanos. “É fundamental manter vacinação anual de cães e gatos contra a doença e em caso de acidentes humanos com mamíferos selvagens, procurar atendimento em unidades de saúde. Os pouquíssimos casos que temos relatados no mundo de sobrevida dos seres humanos à raiva foram com sequelas bastante sérias”, frisou.

Kimura informou ainda que no ano passado, em Niterói, foi detectado a presença do vírus em três morcegos não hematófagos no bairro de São Francisco. “A presença de colônias de morcegos hematófagos e não hematófagos no perímetro urbano deve-se, principalmente, a desequilíbrios ambientais nos ecossistemas. A presente nota tem por objetivo alertar sobre as possíveis consequências derivadas do diagnóstico positivo desta fatal zoonose em amostras de morcegos”, completou.

A Prefeitura de Niterói foi questionada sobre vacinação antirrábica no município, e informou em nota que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Fundação Municipal de Saúde de Niterói faz a vigilância contínua da raiva (hidrofobia) e informa que, desde a década de 1980, não há casos registrados da doença em residentes da cidade. Desde 2001 não ocorrem casos da doença em animais domésticos (cães e gatos) no município. No entanto, como em todo o país, o vírus circula em animais silvestres como morcegos e primatas.

Ainda segundo a Prefeitura, no mês passado a coordenadoria ambiental da Guarda Municipal recolheu um morcego no Horto do Fonseca que apresentou resultado positivo para a raiva. Imediatamente foi realizada a vacinação dos animais das residências do interior do parque, dos animais comunitários que lá residem, bem como reforço no entorno da região, conforme protocolo do Ministério da Saúde.

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