Morar sozinho contribui para que 34% das pessoas fiquem no vermelho

Wellington Serrano

A liberdade de morar sozinho tem seu preço e muita gente não está conseguindo pagar. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que oito em cada dez pessoas que moram só (79%) não se planejaram financeiramente para viverem sozinhas e 34% afirmam que morar sozinho contribuiu para que elas extrapolassem o orçamento alguns meses. A justificativa de metade desses é o fato de não ter ninguém para dividir as contas (49%).

Aos 40 anos e com a tão sonhada independência, a coordenadora Daniela Feger não faz parte desta alta estatística, mas afirmou que no seu caso se tivesse alguém para dividir as conta seria mais fácil. “Eu aluguei um apartamento para morar sozinha e sigo com esse objetivo mesmo porque eu não sonhava casar, nem ter filho, então eu queria ter o meu espaço sozinha”, diz a coordenadora.

Mas a crise chegou e Daniela, que trabalha numa rádio, se garantiu para não ficar atolada em contas. “O meu planejamento financeiro é de não gastar mais do que se ganha sempre, essa é a chave para quem mora sozinho e tem que arcar com todas as responsabilidades sem outra pessoa para rachar as despesas”, aconselhou ela, que disse ainda ser importante guardar e investir o dinheiro. “Com essa instabilidade grande e crescente da econômica a gente nunca sabe como será o dia de amanhã”, realçou.

Mesma opinião da jornalista Juliana Prado que diz se planeja sempre. “Tenho metas de economia e investimentos. Nunca entrei em dívida e sempre pago as coisas antecipado. Não entro nessa estatística, pois trabalho muito, ganho pouco, mas sou bem econômica e prática, pois pago tudo pelo celular”, afirmou ela.

No entanto, a pesquisa revela também que 66% dos entrevistados não fazem um controle efetivo dos gastos. Segundo o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Luiz Vieira, a entidade no município não tem um levantamento regional como o apresentado nos dados da pesquisa, mas, contudo se tem ciência de que culturalmente a população niteroiense que mora só não tem o hábito de fazer um planejamento financeiro.

“É preciso entender que o uso dessa ferramenta, que é imprescindível na administração de empresas, também é importante na vida pessoal, pois implica em controle do orçamento e, consequentemente, na conquista de resultados esperados e mais estáveis. O fato de pessoas solteiras terem um maior descontrole orçamentário está ligado não apenas a divisão das contas, mas também na gerência do que é gasto e aprender a controlar e planejar o orçamento é o primeiro passo para resolução dos problemas financeiros”, aconselhou.

Dados oficiais do IBGE revelam que, atualmente, são mais de 10 milhões de pessoas que vivem só, número que cresceu quase 40% apenas na última década.

Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL no âmbito do ‘Programa Nacional de Desenvolvimento do Varejo’ em parceria com o Sebrae e entrevistou 600 consumidores que vivem sozinhos nas 27 capitais brasileiras de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 3,99 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.

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