Moradores temem que novo programa de segurança não seja tão eficiente como o Niterói Presente

Diferentes representantes da sociedade niteroiense opinam sobre as incertezas que sentem com projeto bancado pelo governo estadual

Por mais que o governo do estado do Rio de Janeiro enfatize que não vai retirar o patrulhamento em Niterói e que seguirá investindo na segurança pública do município, os moradores da cidade não negam que sentem medo e incerteza quanto ao novo projeto. O jornal A Tribuna conversou com diferentes representantes da sociedade niteroiense e todos foram unânimes ao lamentar o fim do Niterói Presente, mesmo que o estado garanta a continuidade da ideia sob sua responsabilidade.

Integrante e um dos responsáveis pelo Polo Gastronômico do Jardim Icaraí, o empresário Adalberto Caveari admitiu que se sente apreensivo, mas espera que o novo projeto continue com o mesmo êxito do anterior. Ele relembra que o Niterói Presente conseguiu reduzir drasticamente os níveis de insegurança do local.

“O programa melhorou demais a nossa área. O serviço nos atendeu muito bem e foi fundamental em devolver a tranquilidade numa área que constantemente sofria com roubos e assaltos. Antes dele existir era impossível continuar com o funcionamento dos bares e restaurantes até mais tarde, pois a violência que existia na área naquela ocasião, antes do patrulhamento, era enorme. Segurança é fundamental. Mesmo com todos os problemas que estamos enfrentando com a pandemia, a falta de segurança é algo incomparavelmente pior do que passar pela atual situação sanitária”, afirmou Caveari.

Para a integrante e uma das responsáveis da Associação de Moradores de São Francisco, Marinice Machado, “há um grande componente político em torno disso”. Admitindo ter levado “um grande susto” ao receber a notícia, ela deixa claro que não chega a ser contrária ao fato de o governador ter tomado à frente da responsabilidade, mas teme pela qualidade do serviço que será prestado.

“Como é que vai ficar esse novo programa? A gente espera que continue da mesma forma como era o Niterói Presente, pois há 12 anos o bairro sofria demais com a violência. Pelas caraterísticas do local, com poucos prédios, muitas casas de muro baixo, era frequente muitos roubos e assaltos a residência. E o Niterói ajudou a trazer muita segurança para cá depois de mais de uma década de insegurança. Assaltos a mão armada, roubo de veículos, sequestro relâmpago e outros tipos de crime bem violentos praticamente zeraram. Os policiais se mostravam muito atuantes, eram bem prestativos, amigos dos moradores”, explica a moradora, que acrescenta sobre a importância dos alertas que os agentes passavam através de grupos de WhatsApp, tendo contato diretamente com quem era da área.

Presidente da Associação de Moradores de Icaraí, Darly Bodstein recorda dos primórdios do programa, quando a base de atuação ficava no Caio Martins sob o comando do Major David. Elogiando o policial pela “inegável liderança” exercida e “pelo total conhecimento sobre Segurança Pública”, o morador cita que a integração entre policiamento e comunidade foi fundamental para reduzir a criminalidade no bairro.

Um dos fatores de sucesso do Niterói Presente foi que à época, os comandos das forças policiais de nossa cidade, como do 12° BPM, a 77a DP e demais delegacias cujos responsáveis já residiam na cidade, por iniciativa do Major David, passaram a trabalhar em conjunto, o que ainda não havia acontecido e, portanto, o resultado não poderia ter sido outro. Nesse sentido a AMAI, Associação de Moradores também colaborou fazendo com que os moradores e comerciantes de Icaraí aderissem totalmente ao Programa e com isso conseguimos doar 20 bikes e também a manutenção das mesmas ao Niterói Presente. Essa união entre moradores e as forças de Segurança foi de vital importância ao sucesso do Programa”, explicou Darly.

O presidente da AMAI é mais um a apontar que a decisão que motivou o governador Cláudio Castro a não renovar o programa foi política.

Infelizmente ainda vivemos situações políticas (2022 às portas) que estão acima do bem estar do povo. São coisas que privilegiam interesses próprios. E como sempre o ônus dessas coisas descabidas recaem sobre a população, que infelizmente desconhece a grande e maior arma que possui para se fazer ouvir e se deixa enganar por falsas e eternas promessas, que é o voto. O resultado aí está, somos surpreendidos com atos como esse que demonstram total desinteresse por nossa segurança”, lamentou.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Luiz Vieira, também foi mais que afirma ter reagido “com muita surpresa” à questão da não renovação do projeto. Relembrando que a ideia foi discutida e planejada na instituição, ele também recordou a sensação de medo que tomava conta da cidade antes da execução do projeto. Além disso, falou da precariedade que tomava conta, à época, das delegacias de Niterói.

“Nós vivíamos um verdadeiro caos e o estado mantinha uma deficiência preocupante em relação à segurança pública. As delegacias sequer recebiam papel higiênico! Consertamos carros, criamos um grupo com a sociedade civil para poder ajudar nas despesas entendendo que segurança pública é um dever de todos nós. Na época, o prefeito Rodrigo Neves acatou a ideia e investiu na proposta. Agora que o projeto deu certo, nós reduzimos os índices de criminalidade e a cidade ficou muito mais segura, o governador simplesmente toma para si. Nós entendemos que essa medida é extremamente política porque não tem a necessidade de mexer no que está dando certo. Se o objetivo era melhorar a segurança, que ele fizesse em todo o Estado. Enquanto CDL, nós iremos cobrar todas as promessas do governo do Estado”, afirmou Vieira.

Vice-presidente de associação lamenta mudança, mas diz que está à disposição do governo estadual

Vice-presidente da Associação ViverBem (o nome se escreve dessa forma, com as palavras juntas), Rodrigo da Matta foi mais uma a lamentar a alteração, mas garantiu que seguirá “trabalhando em prol da segurança, dialogando com as polícias Civil e Militar”.

“Lamento que tenha tido essa mudança, vamos acatar e continuar trabalhando. Mas continuaremos à disposição do governador Cláudio Castro para dialogar pensando no bem de toda a população de Niterói. Até porque a gente não quer brigar, queremos ajudar. Isso sim. Independente de quem vai administrar o programa, se é a prefeitura ou o governo, estaremos à disposição para colaborar no que foi possível. Estamos aqui para integrar em defesa da segurança e, principalmente, do povo”, explicou da Matta.

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