Moradores pedem ajuda para salvar a Lagoa de Itaipu

Wellington Serrano –

Cansado de pedir ajuda às autoridades para tentar salvar a Lagoa de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, o aposentado Luiz Carlos Thurler, de 61 anos, resolveu botar a ‘boca no trombone’ e na internet para denunciar a falta de ações e iniciativas públicas para salvar um dos mais belos cartões-postais da cidade, que mais tarde pode virar alvo da especulação imobiliária.

“Já falei com a Secretaria de Meio Ambiente, Inea e com o secretário da Região Oceânica, mas a atitude que é boa até agora nada”, reclamou. Segundo Thurler, o problema com a lagoa começa no final da Rua Carlos Cardoso, que dá acesso às margens do paraíso. “A liberação de automóveis no local carregando jet ski acelera a degradação, mas o importante agora é chamar a atenção para o assoreamento que avança tanto em pontos mais externos quanto internos da lagoa e que preocupa moradores e frequentadores da região”, disse.

A equipe de reportagem de A TRIBUNA esteve no local e logo na chegada deu de cara com um churrasco, que estava sendo organizado por uma família ao lado das dunas, protegidas por lei. “Os visitantes vêm pra cá e, sem nenhuma cerimônia, jogam o carvão na vegetação, que segue muito seca e espalha o incêndio”, criticou. Segundo o aposentado, isso acontece porque não existe fiscalização. “Muitas cercas são danificadas e ultrapassadas para a entrada dos quadriciclos, que circulam livremente pelas áreas de preservação ambiental. Isso é um absurdo muito grande”, lamentou ele, que criticou a venda de cerveja em garrafas de vidro feita por alguns comerciantes.

Luiz Carlos revelou que a Lagoa de Itaipu está morrendo. Ele lembra que há 15 anos, quando era mais jovem, atravessava o canal a nado. “Hoje, fazer o mesmo percurso é tarefa perigosa porque os ladrões usam a facilidade da água batendo nas canelas para fugir de um local para outro e enganar a polícia”, recordou.

O comerciante João Batista dos Reis tem medo que aconteça o mesmo que houve com o canal de Piratininga, que sofre com mortandades de peixes. “O que aparece de lixo quando a maré está rasa é um desrespeito”, falou. Ele acusa o Inea de fazer a coleta da água da lagoa no momento errado. “Eu só observo, eles (os agentes do estado) realizam a coleta da amostra da água quando o mar está em maré cheia. No entanto, o certo é fazer isso na hora que a maré está vazante”, explicou.

Procurada, a Prefeitura de Niterói disse que as lagoas de Piratininga e Itaipu são de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), mas que assumiu a gestão do sistema lagunar da cidade e, dentro do Programa Região Oceânica Sustentável (Pro-Sustentável), dará prioridade à sua recuperação ambiental. “Através do Pro-Sustentável serão desenvolvidas ações que resultarão na melhoria da qualidade ambiental do sistema lagunar”, afirmou.

Mas a prioridade da Prefeitura nesse momento é a Lagoa de Piratininga. As intervenções em Itaipu dependerão do Plano de Gestão Ambiental do Sistema Lagunar, que será elaborado no âmbito do Pro-Sustentável.

A Prefeitura lembra que os problemas verificados na Lagoa de Itaipu são o resultado de décadas de degradação, desde que houve a abertura permanente do canal de Itaipu, ligando a lagoa ao mar. “A obra, de responsabilidade da empresa Veplan, transformou o ecossistema lagunar em algo mais parecido com um braço de mar, uma enseada. Houve o rápido aumento do nível de salinidade e o que era um ecossistema de água salobra, passou a ter a salinidade parecida com a do mar”, explicou a Prefeitura ao afirmar que a limpeza do entorno da lagoa de Itaipu é feita manualmente e com frequência pela Clin.

Por fim, a prefeitura diz que o bairro conta com coleta domiciliar regular, que ocorre três vezes por semana. “O material encontrado no entorno da lagoa é entulho descartado irregularmente pela população, que também é recolhido regularmente pela Clin”, concluiu na resposta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × 2 =