Moradores ganham mais tempo para desocupar prédio no Centro

Raquel Morais –

Mais um capítulo da história do Edifício Amaral Peixoto, número 327, no Centro de Niterói, foi contado. Após interdição e ordem para desocupação voluntária até o dia 24 de abril, o Ministério Público estadual prolongou o prazo para a retirada das famílias. A nova data ainda não foi divulgada e o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) explicou somente que o caso continua com a juíza Andrea Gonçalves Duarte para conclusão. Enquanto o impasse não é resolvido, centenas de pessoas continuam morando no edifício, mesmo sem energia elétrica e sem fornecimento de água.

O MP estadual informou que houve um pedido de prolongamento do prazo por parte do representante dos moradores. O MP concordou, agora cabe ao TJ decidir. O representante em questão não foi encontrado pela reportagem de A TRIBUNA, mas outros moradores contaram um pouco do drama que estão vivendo.

O aposentado Wilton Oliveira, de 72 anos, lamentou a situação que chegou do prédio em que vive há 35 anos. Ele explicou que não tem outro lugar para morar, a Prefeitura não prestou nenhum tipo de apoio e a única opção que ele teve foi continuar morando no seu apartamento sem luz e sem água. Para driblar a falta de serviços básicos, ele tem que comprar comida todos os dias e rezar para não fazer muito calor.

“Dormir sem ventilador é muito ruim. Essa situação é muito grave e não tenho o que fazer. Hoje moro sozinho, mas tenho muita lembrança boa desse prédio. Criei dois filhos e nove netos nesse edifício e hoje moro sozinho e não tenho para o de ir”, contou.

Uma moradora que preferiu não se identificar disse que menos de dez proprietários de apartamentos deixaram o edifício.

“Ninguém da Prefeitura me procurou e eu estou em uma situação crítica. Sabemos dos riscos de continuar no imóvel mas ou eu fico no apartamento ou vou virar moradora de rua”, lamentou a aposentada.

“Nunca pensei em viver uma situação dessa. Sempre tive uma vida humilde e sem luxos, mas sempre consegui me sustentar e me organizei para ter uma velhice digna. Sinceramente, eu não estou tento dignidade”, completou.

Em nota, a Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH) tem realizado o cadastramento de famílias residentes do imóvel da Avenida Amaral Peixoto, 327. Os técnicos da secretaria também estão orientando as famílias sobre o processo para obter o aluguel social. Até a última sexta-feira (3), 130 famílias foram cadastradas pela SASDH.

RELEMBRE O CASO
Conhecido popularmente como prédio ‘da Caixa’, com 394 apartamentos, ele foi interditado pelo MPRJ e a justificativa do poder público para a interdição seria a questão da insalubridade e risco para os moradores. Ao longo dos anos o prédio vem colecionando problemas que envolvem até mesmo polícia, tráfico de drogas e prostituição. No mês passado a juíza ‘concedeu tutela de urgência (…) determinando a intimação do município para que promova a retirada de todos os moradores do prédio, no prazo de dez dias, com a proibição de circulação de pessoas em suas dependências’, segundo nota. Depois da desocupação terá que ser feito um laudo técnico sobre as condições do edifício e com as obras que serão necessárias.

A decisão também aponta que a Prefeitura de Niterói tem que orientar esses moradores, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, e promover, se necessário, essas famílias em programas sociais. A energia elétrica do prédio foi interrompida no dia 18 de março e o corte de água foi dia 1º de março.

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