Moradores de rua em Niterói buscam ajuda nos centros de acolhimento

Raquel Morais –

Briga entre casal. Separação. Problemas com vizinhos. Essas são algumas causas contadas por moradores de rua de Niterói para explicar a situação de vulnerabilidade em que se encontram. Uns são mais conformados. Outros nem tantos. Uns querem se identificar. Outros já não conseguem conversar de cabeça erguida. Seja o motivo que for não é difícil encontrar pessoas e famílias morando nas ruas da cidade. A Prefeitura de Niterói informou que as equipes de Educadores Sociais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH) realizam, em média, 500 abordagens mensais, onde buscam sensibilizar essas pessoas para irem para o Centro Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop).

Márcio Andrada é um ‘novato’ morador de rua. Ele tem 39 anos, é de Cabo Frio, tinha casa própria, trabalhava em um açougue e dava aulas de violão em um projeto social na Região dos Lagos. Teve que largar tudo após uma briga com um homem e está há 45 dias morando nas ruas de Niterói, esperando acolhimento no Centro Pop. Ele dorme na Amaral Peixoto, vende balas para conseguir comer e só tem um desejo: voltar a trabalhar. “Me ajudaram montando meu currículo e eu só quero um emprego para conseguir uma moradia e minha dignidade de novo. Não estou na rua porque quero”, comentou emocionado o professor de música.

Histórias iguais a de Márcio têm aos montes. Um morador que não quis se identificar disse que teve que morar na rua após se separar da esposa. “Eu bebo muito e ela não aguentou mais. Tenho que me tratar mais é difícil”, explicou o homem que está há quatro anos nessa situação. Outro jovem também confessou o uso do álcool para conseguir passar por toda a situação. “Não aguentei ver minha mãe sofrendo por minha causa e sai de casa”, resumiu.

Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que, em média, 230 pessoas são encaminhadas mensalmente ao Centro Pop. Cerca de 70% destas não são de Niterói e aceitam voltar para suas casas em seus municípios de origem através do processo de recambiamento. Não são números fixos. Niterói possui cinco locais totalmente equipados para atender e receber a população em situação de rua ou em sociovulnerabilidade. São eles: a Casa de Acolhimento Florestan Fernandes, que oferece 50 vagas para homens adultos, o Centro de Acolhimento Lélia Gonzalez, com 50 vagas para mulheres e famílias, o Centro de Acolhimento Arthur Bispo do Rosário, com 30 vagas para homens adultos, a Casa de Acolhimento para meninas Lisaura Ruas (20 vagas para meninas de 6 a 17 anos e meninos de 6 a 11 anos) e Centro de acolhimento para meninos Paulo Freire (20 vagas para meninos de 12 até 17 anos). Não há insuficiência de vagas nos centros de acolhimento de Niterói.

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