Moradores de Itaboraí denunciam que Comperj contrata trabalhadores de fora

Anderson Carvalho –

Quando o consórcio Kerui-Método assinou o contrato com a Petrobras para concluir as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), no município de Itaboraí, o compromisso assumido com a prefeitura e o Conleste (Consórcio Intermunicipal do Leste Fluminense), era de que a maior parte da mão de obra utilizada fosse local. Porém, segundo trabalhadores da cidade, não é bem isso que vem ocorrendo.

Na página ‘Comperj Online’, no Facebook, internautas que moram em Itaboraí denunciam que a Kerui-Método está contratando mão de obra de fora da região, inclusive de outros estados. A postagem intitulada “Denúncia sobre vagas”, foi publicada no último dia 11 de março e já conta com 91 comentários. “Estão trazendo os trabalhadores porque isso é jogada política para movimentar recursos financeiros em Itaboraí. Porque depois que o Comperj ficou esse tempo todo sem obra, Itaboraí praticamente quebrou e o prefeito colocou essa burocracia para que as pessoas de outras regiões possam vir alugar e comprar casa para morar para assim poder movimentar os postos e mercados e ramos imobiliários”, relatou Rafael Ribeiro. “Fui no Sine no dia 7 de janeiro e passei a noite na fila só para fazer uma ficha de cadastro de emprego. Até agora, nada”, reclamou Denílson dos Santos. “Já é a segunda vez que chego no Sine às 17h e passo a noite lá para tentar ficha e nada. Hoje eu fui o terceiro para encanador industrial e quando cheguei lá pra pegar a vaga, simplesmente não tinha mais”, denunciou Valvânia Silva.

“Segundo relatos de integrantes que estão lá dentro da unidade do Comperj, a maioria da mão de obra é indicação de supervisor, e encarregados, esses indicados estão vindo de outros estados pra Itaboraí já com os exames admissionais agendados”, disse um trecho da postagem do grupo ‘Comperj Online’.

A Câmara Municipal de Itaboraí vai promover, esta quinta-feira, às 15h, audiência pública pedindo esclarecimento do não atendimento de vagas no Comperj aos itaboraienses, onde existe uma recomendação da Casa para que seja distribuída uma porcentagem de vagas de empregos aos moradores do município. A reunião será presidida pelo vereador Enéas Pereira (PMN). Foram convidados representantes do consórcio, do Ministério Público Estadual, do MP do Trabalho, da prefeitura e sindicatos.

Procurada, a Keruí-Metodo não se manifestou até o fechamento desta edição. Em janeiro passado, ela informou que já havia 600 trabalhadores no Comperj. Em agosto de 2018, explicou que estava contratando 98% da mão de obra de municípios do Leste Fluminense, sendo 71% deles de Itaboraí. Também procurada, a prefeitura não se manifestou. O prefeito Sadinoel Souza é o presidente do Conleste.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *