Moradores aderem ao Rua Segura para conter os índices de violência

Augusto Aguiar –

Entre o período da manhã e o início da tarde do dia 18 de maio, uma dupla de bandidos rondou por pelo menos dois conhecidos condomínios da orla de Icaraí, esperando uma oportunidade para invadi-los e possivelmente praticar roubos a apartamentos. Como não obtiveram êxito, seguiram para o bairro de São Francisco, também na Zona Sul, onde conseguiram (com mais um comparsa) invadir outro condomínio (Chácara San Francisco) e roubar um dos imóveis. As tentativas de invasão aos condomínios Strauss e Murano foram descritas na edição do dia 25 de A Tribuna.
“Estamos vivendo um grande descontrole sobre a violência e a criminalidade no estado do Rio e em especial em Niterói e regiões próximas
.
Precisamos encontrar formas para enfrentarmos essa grande insegurança. Por isso implementamos o Projeto Rua Segura, um movimento de moradores, síndicos e funcionários de condomínios e comerciantes da região, objetivando a adoção de dez medidas básicas para enfrentamento da violência e a criminalidade. A qualificação de porteiros, iluminação eficiente das vias públicas, a comunicação através das redes sociais, dos porteiros, síndicos, e forças de segurança interligados com as câmeras são algumas das dez medidas básicas da Rua Segura”, explicou o idealizador e integrante do Rua Segura, delegado corregedor José Paulo Pires.

Durante o feriado, síndicos do Rua Segura ocuparam o calçadão da Praia de Icaraí para coleta de assinaturas de adesão ao movimento e em especial reivindicando a instalação de uma base da Guarda Municipal em frente à Igreja São Judas Tadeu. De acordo com os organizadores, há cerca de uma semana, 1.100 assinaturas já haviam sido colhidas no calçadão e a expectativa dos síndicos era dobrar o número de adesões. “A receptividade da população no domingo (dia 27) ao abaixo-assinado pela base da Guarda no final da praia foi sensacional. Há um clamor por maior segurança. Por isso, decidimos voltar às ruas para coletar novas adesões. Esperamos entregar um documento bastante robusto ao prefeito. Não só pela instalação da guarita, mas para que ela tenha sempre a presença de agentes de segurança e não fique vazia, como ocorre em algumas áreas”, acrescentou o delegado, através das redes sociais.

“Por favor, coloque a Rua Álvares de Azevedo, desde o começo (no projeto). Quando dobro no serviço, chego por volta das 22h50min e é um terror, pois o antigo cinema está às escuras e o outro lado tem muita gente fumando e pedindo dinheiro. Já chegaram a ameaçar. Segundo o porteiro tem tido bastante assalto, moro logo depois do hortifruti, está um perigo. Já agradeço”, “Já assinei e concordo plenamente”, responderam dois moradores que aderiram.

Ainda segundo o delegado José Paulo Pires, os síndicos têm todos os motivos para pedir reforço da segurança no final da praia. Ali, há uma concentração de viciados em crack e moradores de rua e vários furtos e assaltos acontecem. As maiores vítimas são idosos, mulheres e crianças. “Ao cair da noite fui obrigada a deixar de fazer caminhada no calçadão no final da praia. É muito perigoso”, disse uma moradora que não quis se identificar. “Acreditamos que a simples presença ostensiva de agentes de segurança baseados nesse ponto contribuirá em muito para a redução desses delitos”, afirmou o delegado.

Anteriormente, através da página do Rua Segura, no Facebook, foi postado um alerta sobre o perigo que estava representando um simples bate-papo de moradores em frente aos condomínios, exatamente pelo risco de se tornarem vítimas rendidas e mantidas como reféns, sendo obrigadas a ingressarem nos prédios sob a mira dos bandidos. Os porteiros de Icaraí já estão sendo treinados para alertar sobre o perigo. Este foi um dos temas de destaque no 5º Curso de Segurança Condominial, promovido pelo movimento Rua Segura, em abril, em Icaraí. Mais de 50 porteiros assistiram a palestra, ministrada por Pires. Durante o curso, os porteiros receberam cartilhas com doze principais dicas para evitar furtos e assaltos nos condomínios e, ao final, ganharam diplomas.

Dez metas do Rua Segura:
1 – Iluminação das portarias e calçadas; 2 – Qualificação com corresponsabilidade dos porteiros em segurança condominial; 3 – Instalação e modernização de câmeras nos condomínios; 4 – Instalação de lâmpadas “brancas” na rede pública; 5 – Instalação de câmeras em vias públicas interligadas à PM e GM; 6 – Intercomunicação entre porteiros, coordenadores, segurança motorizada e forças de segurança, pelas redes sociais para prevenção, de violência e ilícitos penais; 7 – Atenção as pessoas em situação de vulnerabilidade; 8 – Segurança motorizada circulante para prevenção de violência e ilícitos penais; 9 – Orientação aos moradores sobre prevenção à violência e à criminalidade; e 10 – Auxílio às forças de segurança para prevenção e repressão aos ilícitos penais.

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