Ministro da Saúde diz que sistema de saúde pode entrar em colapso em abril

Estimativa é que em agosto ocorra um movimento de queda da Covid-19

O sistema de saúde pode entrar em colapso em abril em decorrência da pandemia do novo coronavírus, disse sexta-feira (20) o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante videoconferência da qual participaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e representantes de associações empresariais brasileiras.

“No final de abril sistema entra em colapso. O colapso é quando você pode ter o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não há o sistema para entrar”, afirmou o ministro.

A estimativa do Ministério da Saúde é que haja um crescimento dos casos do Covid-19 nos próximos 10 dias, uma subida mais aguda em abril, permanecendo alta em maio e junho. A partir de julho é a expectativa de início da desaceleração. Em julho começa um plateau (estabilidade) e em agosto um movimento de queda nos casos que terá ‘queda profunda’ em setembro.

Mas a intensidade depende das medidas adotadas e do comportamento das pessoas, destacou Mandetta. Neste sentido, o ministro reiterou a importância da redução de circulação e iniciativas de isolamento.

“Para evitar esse colapso eventualmente pode ser necessário segurar a movimentação para ver se consegue diminuir a transmissão. Quando tomamos medida de segurar 14 dias, o impacto só é sentido 28 dias depois. A cadeia é sustentada e você quebra”, comentou Mandetta.

Também na sexta, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) revelou que pode passar por um terceiro exame para saber se está com o novo coronavírus e mencionou a possibilidade de já ter sido infectado. Até sexta, ao menos 22 pessoas que participaram da viagem do presidente aos Estados Unidos, no início do mês, estão com a covid-19.

“Eu estou bem. Fiz dois testes. Talvez faça mais um até. Recebo orientação médica”, disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

Ele aventou a possibilidade de ter sido contaminado pelo vírus e não ter descoberto:

“Aqui em casa, toda a família deu negativo. Talvez, eu tenha sido infectado lá atrás e nem fiquei sabendo. Talvez. E estou com anticorpo”, finalizou.

Isolamento

Na quinta-feira o Ministério divulgou novo protocolo para os postos de saúde. Nos locais com transmissão comunitária (São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Porto Alegre, Belo Horizonte e Santa Catarina) pessoas com sintomas do novo coronavírus terão um atendimento agilizado, serão colocadas em isolamento por 14 dias assim como familiares e todos os idosos acima de 60 anos.

Nos locais sem transmissão comunitária, pessoas com sintoma de Covid-19 devem buscar os postos de saúde e ficar em isolamento, com monitoramento a cada 48 horas. Caso mais graves serão encaminhados para atendimento hospitalar.

O Ministério da Saúde contabiliza 11 mortes pela Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV2). O número de casos confirmados da doença chegou a 904, de acordo com o levantamento atualizado até as 16h desta sexta-feira (20).

Em relação ao número de ontem (621 casos), houve um aumento de 45%, mesmo percentual observado de quarta para quinta. Dos óbitos, nove ocorreram em São Paulo e dois no Rio de Janeiro. Apenas no Hospital Sancta Maggiore, na capital paulista, foram cinco casos.

Apesar do aumento do número de diagnósticos de Covid-19 no país, a taxa de letalidade da doença entre os brasileiros infectados é de 1,21%, menor do que a média mundial, que está em 4,18%, puxada principalmente pela alta de óbitos na Itália.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou ainda, na tarde de sexta-feira, que há 109 casos confirmados, 1.701 casos suspeitos. Os casos confirmados estão distribuídos da seguinte maneira: Rio de Janeiro (89), Niterói (10), Petrópolis (2), Barra Mansa (1), Guapimirim (1) e Miguel Pereira (1). Há ainda três (3) estrangeiros confirmados para a Covid-19, além de dois (2) casos com o local de residência em investigação.

Nesta quinta-feira (19), a SES confirmou os dois primeiros óbitos por coronavírus no estado. As vítimas são uma mulher de 63 anos, em Miguel Pereira, e um homem de 69 anos, em Niterói. Os dois eram diabéticos e hipertensos e apresentaram sintomas após contato com outros casos confirmados vindos do exterior. Idosos e portadores de doenças crônicas compõem o grupo de risco para Covid-19.

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