Ministério da Saúde não tem previsão para envio de nova remessa de vacinas

Um mês após o ministério da Saúde orientar o uso de todo o estoque dos imunizantes na primeira aplicação do Plano Nacional de Imunização (PNI), as doses de AstraZeneca e CoronaVac acabaram em diversas cidades do Estado do Rio que, desde ontem (27), suspenderam a vacinação. Enquanto o Ministério da Saúde afirma que não há previsão para o envio de novas remessas, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; e Volta Redonda, no Sul do Estado, não têm mais nenhuma vacina. Maricá, Mesquita e Mangaratiba seguem com a plicação apenas da AstraZeneca, pois não há mais a CoronaVac.

No dia 21 de março o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, autorizou que todas as vacinas armazenadas por estados e municípios fossem imediatamente utilizadas na primeira dose, garantindo o pronto envio de novas remessas. Contudo, nessa semana ele revelou que há problemas no fornecimento e distribuição das vacinas produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Sua preocupação maior é em relação à CoronaVac, que tem intervalo entre as doses é de apenas 28 dias.

“Tem sido um pedido de governadores, de prefeitos, porque, se os senhores lembram, cerca de um mês atrás se liberou as segundas doses para que se aplicassem. E agora, em face de retardo de insumo vindo da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose”, declarou Queiroga em audiência no Senado.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou que não há mais vacinas a serem entregues no momento, mas que essa interrupção será temporária até que uma nova remessa de imunizantes seja enviada para o estado, o que ainda não tem data para acontecer.

Especialista aponta erros

Para o professor Mario Dal Poz, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), falta coordenação na gestão da pandemia, principalmente por parte do governo federal.

“O Brasil não se preparou e não adquiriu vacinas e hoje estamos dependentes de importações. Houve um erro grosseiro do ministério da Saúde em autorizar de todas as doses prometendo novas que não chegaram. Com a situação na Índia e da China, que reduziram as transferências de insumos, a nossa situação é muito ruim em relação à vacinação. Já em relação à organização da vacinação está tudo um caos”, afirmou.

Sobre a decisão em relação a Sputnik V, Poz alega que foi a decisão possível com as infirmações que se tem até o momento. E afirmou ainda que cortes no investimento em pesquisa impediram que institutos como a Fundação Oswaldo Cruz e o Butantan, figurassem na vanguarda da produção de imunizantes.

“Para isso precisava de um investimento lá traz. Tem alguns projetos de vacina no Brasil, não são muito caros, mas cortaram o dinheiro para o desenvolvimento tecnológico. Agora estamos nas mãos da importação do IFA, o que é muito pouco para um país com a dimensão do Brasil”, declarou.

Em relação às filas nos postos de vacinação em diversas cidades do Rio de Janeiro, para além das aglomerações, ele vê a demostração que a população quer ser vacinada e a falta de doses pode colocar todo o esforço em dúvida por parte da população.

“As pessoas estão voltando para tomar a segunda dose e não tem. Caso passe muito do prazo, essa pessoa terá de tomar as duas doses novamente, a primeira e a segunda. Vacina que poderia imunizar outra pessoa”, explicou.

Ainda segundo Poz, os governos estaduais deveriam tomar rédeas da vacinação com um calendário unificado, não com cada prefeitura fazendo coisas diferentes. Porém, foi transferida para cada município a responsabilidade de definir faixa etária.

“A maioria das cidades não têm condição e nem capacidade de fazer isso. Duque de Caxias, por exemplo, o prefeito resolveu fazer coisas da cabeça dele e o Estado é omisso, deu nisso”, concluiu.

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