Coluna do LAM: Milton Nascimento, Lô Borges e o “Clube da Esquina” em Piratininga merecem uma homenagem pelos 50 anos

POR LUIZ ANTONIO MELLO

Durante a semana me enviaram um post de Milton Nascimento no Facebook. A foto é esta que ilustra este artigo e no texto, Milton escreveu:

“Minha mãe, Lilia, e eu, em Mar Azul, na Praia de Piratininga. Ao fundo, a casa em que morei junto com @loborgesoficial e @betoguedes.oficial. E onde praticamente nasceu o disco Clube da Esquina”. Milton Nascimento/ Niterói | 1972.

No mesmo dia, o amigo Álvaro Fernandes me enviou a foto, feita há 49 anos, naquele lugar mágico que chamamos de Prainha de Piratininga mas, ao que parece, o nome oficial é Mar Azul.

Uma sucessão de coincidências. Álvaro mandou a foto pelo whatsapp no dia em que Milton a postou no Facebook.  Na noite anterior eu tinha sonhado com muita saudade de uma música do Milton, “Pai Grande”, que conheci no Abel, onde o diretor Antonio Carlos de Caz ensaiava o nosso grupo com a peça “Arena Conta Zumbi”, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Todos nós éramos tomados de forte emoção quando, em determinado ponto da peça, alguém cantava “Meu pai grande/Ainda me lembro/E que saudade de você/ Dizendo: eu já criei seu pai/Hoje vou criar você/Ainda tenho muita vida pra viver (…).” A música está neste link : https://bityli.com/jQVN5c

É provável que na época da peça, Milton, Lô Borges e Beto Guedes estivessem morando em Piratininga sem que a gente sequer suspeitasse. No final de 1971 eles alugaram uma casa naquela região para compor e ensaiar as músicas do lendário álbum “Clube da Esquina”, um dos primeiros LPs duplos de música brasileira, lançado em março de 1972. O disco é uma preciosidade e que vai fazer 50 anos em 2022.

Só fui confirmar a existencia da casa em 1996 lendo o excelente “Os sonhos não envelhecem: histórias do Clube da Esquina”, de Márcio Borges (irmão do Lô). Fui inúmeras vezes a Piratininga especificamente para tentar localizar a casa. Em vão.

Mais recentemente, nas imediações do restaurante Tibau, uma pessoa me disse que a casa foi demolida. Chequei com outros moradores que “ouviram falar” da casa mas não sabiam dizer se ainda existe. Afinal, quase 50 anos se passaram.

O post do Milton mais a foto que o Álvaro mandou me deram esperança. A casa que aparece lá atrás, no alto do morro, bate com a descrição que, na época, alguns frequentadores faziam do tal “Clube da Esquina de Piratininga”.

Ao longo do tempo, anos 80, 90, entrevistei Milton Nascimento algumas vezes, mas só quando o encontrei em Icaraí e o levei até o ponto de táxi na Praça Getúlio Vargas perguntei sobre a localização da casa. No ato ele respondeu “ficava em Mar Azul…mas eu não saberia localizar hoje porque muito tempo se passou”.

Mandei a foto para um grande amigo e conhecedor daquela região, que frequenta desde pequeno, Márcio Paulo Maia Tavares. Ele me disse pelo whatsapp que “está parecendo que fica logo após  a ponte do Tibau, a esquerda. Ia muito lá naquela época para comprar peixe. Lembro de umas casas por ali. Assim que atravessamos a ponte, a esquerda, uma localidade que uns chamam de  Zé Mundrongo.”

Nos próximos dias vou procurar o Márcio Borges (e também o Lô) que, quem sabe, lembram do local, apesar das muitas e naturais mudanças ocorridas nesses quase 50 anos.

Acho que aquele lugar merece uma homenagem pelos 50 anos do disco já que, segundo o próprio Milton em seu post foi “onde praticamente nasceu o disco Clube da Esquina”. Ano que vem, aquele lindo lugar merece pelo menos uma placa, um símbolo, um registro informando que “aqui nasceu o disco Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, um marco da música brasileira, lançado em março de 1972…”

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