Milícia desafia as autoridades e continua atormentando moradores em Itaboraí

Uma ocorrência registrada no último sábado (18), está servindo de alerta para a polícia a respeito da atuação de grupos de milicianos que estariam desafiando as autoridades, tentado implantar a exploração de comerciantes e moradores de localidades, situadas em Itaboraí. Essa exploração estaria acontecendo mesmo após a polícia ter realizado, no ano passado, pelo menos duas grandes operações naquele município, que resultaram na prisão de dezenas de pessoas, entre elas advogados, policiais e criminosos que ocupavam posições de liderança na organização.

No sábado, quatro acusados de integrarem um grupo miliciano foram presos em Visconde Itaboraí e com eles os policiais militares do 35º BPM (Itaboraí) encontraram dinheiro proveniente da extorsão contra comerciantes, além de aparelhos celulares. De acordo com denúncia, os milicianos estavam obrigando e ameaçando os comerciantes a manterem o comércio aberto mesmo com as determinações das autoridades para prevenir a propagação da Covid-19. Mais uma vez, a exemplo do que ocorria no ano passado, moradores e proprietários de estabelecimentos, com medo de violentas retaliações, preferiram manter a chamada “lei do silêncio” e não comentar o fato.

O atual líder do grupo de milicianos que permanece atormentando os moradores seria conhecido como “Negão”. Os quatro acusados, conduzidos para a central de flagrantes da 74º DP (Alcântara), foram autuados com base no artigo 288-A (formação de milícia privada). As investigações sobre a atuação de espécie de grupos que já atuam em algumas comunidades do Rio, agindo em municípios da Região Metropolitana voltou a ser apurado de forma sigilosa pela Polícia Civil. A Prefeitura de Itaboraí nega ter conhecimento da atuação desses grupos na cidade.

Operações

No ano passado, uma força tarefa com dezenas de agentes das delegacias de homicídios do Estado (Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, Capital e Baixada Fluminense) e agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco-MPRJ) realizaram a Operação Salvator, para desarticular o principal braço da organização miliciana de Orlando Curicica (Orlando Oliveira de Araújo) fora da Zona Oeste do Rio, em Itaboraí.

Pelo menos 45 pessoas foram presas por envolvimento com a milícia, dos quais quatro policiais militares da ativa, dois ex-PMs e três mulheres. Nesse último caso, um casal – sendo a mulher advogada e o marido definido como “falso policial”, foram presos num apartamento de alto padrão na Praia de Icaraí, Zona Sul de Niterói. A Operação Salvator teve por objetivo cumprir 74 Mandados de Prisão, acusados também por crimes de tortura, extorsão, assassinatos, e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público os grupos arrecadaria cerca de R$ 500 mil por mês em atuação nas localidades de Visconde de Itaboraí, Areal, Porto das Caixas e outros bairros vizinhos.

Em dezembro, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, realizou outra operação com objetivo o cumprimento de mais 39 Mandados de Busca e Apreensão em endereços relacionados a uma milícia que atua em Maricá. Na ação, a polícia investigava a chacina de cinco jovens, num condomínio do Minha Casa Minha Vida, ocorrida em 2018, além do duplo homicídio de um vereador e seu filho (advogado) e de dois jornalistas no mesmo período.

A investigação constatou que as circunstâncias dos crimes estariam interligadas com a atuação miliciana na cidade de Maricá. Os alvos, de acordo com a Polícia Civil, foram os suspeitos de envolvimento nas mortes dos jornalistas Robson Giorno, dono do Jornal O Maricá, e Romário Barros, do portal de Notícias Lei Seca de Maricá, além do vereador Ismael Breve e seu filho, o advogado, Thiago Marins.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 − dez =