Metalúrgicos de Niterói cobram que Petrobras pague R$ 109 milhões de indenização

Anderson Carvalho –

A notícia de ontem de que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, liberou o pagamento de créditos no valor de R$ 10 bilhões a investidores americanos em acordo fechado com a Justiça dos Estados Unidos, surpreendeu e indignou os 3.300 trabalhadores metalúrgicos de Niterói que até 2015 trabalharam no Estaleiro Eisa Petro Um (Mauá), no bairro Ponta da Areia. Eles lutam no Tribunal Regional do Trabalho para que a estatal pague indenização de R$ 109 milhões, como empresa solidária por ter sido a contratante do serviço.

Até 2015 o Eisa Petro Um construía navios para a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Em setembro de 2016 a 3ª Vara do Trabalho de Niterói condenou a Petrobras como responsável solidária na na obrigação de pagar e indenizar os trabalhadores. O processo é movido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e o Ministério Público do Trabalho. Segundo o sindicato, três navios estão parados no estaleiro enferrujando e virando sucata. As plataformas com mais de 90% prontas estão paradas, outras com 60% virando lata velha. Para terminar as embarcações a empresa gastaria apenas R$ 400 milhões e voltaria a gerar pelo menos 2.500 vagas de emprego.

“Desde 2015, a Petrobras vem recorrendo das condenações para não pagar aos trabalhadores. A empresa não investe mais na geração de empregos e no seu patrimônio construindo plataformas e navios no Brasil. Só querem pagar a banqueiro internacional. O Brasil está hoje nesta crise por causa do pensamento deste tipo de gente”, afirma Edson Carlos Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e membro (representando a Confederação Nacional dos Metalúrgicos – CNM/CUT) do Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante (CDFMM), responsável por financiar a construção de embarcações e Estaleiros no Brasil.

No final de 2016, logo após a decisão da 3ª Vara de Trabalho de Niterói, a Petrobras recorreu ao TRT. Este ainda não marcou a data do julgamento do recurso. Em dezembro passado, a estatal entrou com novo recurso, desta vez, para levar o processo ao Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. Este ainda não foi julgado.

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