Mergulhão não anima motoristas

Geovanne Mendes –

Inaugurado no último sábado (19), o mergulhão da Praça Renascença, no Centro, ainda causa desconfiança por parte dos motoristas que têm passado pelo local. Alguns ainda duvidam do seu poder de desafogar o trânsito e diminuir o tempo de deslocamento da área central à Zona Norte e vice-versa, inclusive alguns motoristas dizem que o gargalo da hora do rush aumentou com a liberação da obra. Horas depois de sua inauguração, a chegada na cidade pela Ponte Rio-Niterói, na descida da Avenida Jansen de Melo, foi inundada de carros por todos os lados, causando engarrafamentos de pelo menos três quilômetros.

Quem vem do Fonseca, na Zona Norte da cidade, e da Avenida do Contorno em direção ao Centro se vê no meio deste engarrafamento gigantesco. A vida de pedestres no entorno da obra em direção aos pontos de ônibus da Avenida Feliciano Sodré, no Centro, também não está nada fácil, já que com o aumento do fluxo de veículos na Rua Saldanha Marinho para entrar no mergulhão e sem a presença de uma sinalização ou passarela, a vida das pessoas corre risco. Outro problema é que na saída do túnel, os motoristas que seguem para a Avenida do Contorno e os que seguirão para a Zona Norte se embolam e vira um verdadeiro zigue-zague para ver de quem é a preferência da mão. Enfim, os problemas, pelo menos neste início, parecem sobrepor os possíveis benefícios de uma obra que custou R$ 70 milhões e que tem como cartão de visita a tarefa de modernizar e tornar mais dinâmico o trânsito em uma importante área da cidade.

“Sinceramente eu não vejo nada de benefício. Agora a gente é obrigado a atravessar essa rua cheia de carros e sem passarela ou um sinal de trânsito”, disse a dona de casa Emília Fernandes, de 39 anos.

“Eu não vi nenhuma placa de acesso à Ponte Rio-Niterói. A gente não consegue nem chegar mais no supermercado Extra e muito menos na Delegacia de Homicídios, uma dificuldade só. Agora tenho que ir na Ponta D´areia, simplesmente um absurso”, disse o motorista Eduardo Silva, de 44 anos.

Segundo a assessoria da Ecoponte, concessionária responsável pela execução da obra, esse caos inicial é natural e trata-se de uma reacomodação do trânsito, já que é comum a curiosidade dos motoristas quando passam pelo local e também dúvidas com o novo trajeto. Afirma ainda que os sinais de trânsito serão retirados no cruzamento das avenidas Jansen de Melo e Feliciano Sodré, já que o objetivo do projeto era justamente eliminar esse encontro entre as duas vias e que retardava o trânsito, tanto de quem chegava do Contorno, como de quem vinha da Zona Norte da cidade e quem seguia do Centro para esses locais.

“Já fizemos uma análise e enviamos para a NitTrans para que eles corrijam qualquer tipo de falha que venha a atrapalhar o trânsito, como, por exemplo, o tempo dos sinais ao redor da obra”, diz a assessoria.

De acordo com o diretor de operações e planejamento da NitTrans, Alexandre Cony, o impacto no turno da manhã foi de 40% a 50% na fluidez do trânsito no Centro da cidade. “Pequenos ajustes estão sendo feitos, como regulagem do tempo dos sinais luminosos, reforço na sinalização horizontal e vertical e poda de algumas árvores para facilitar a visualização neste trecho”, explica Cony.

Entre 6h e meio-dia foram 1.380 veículos passando pela nova via. Em toda a região da Praça Renascença foram 2.760 veículos no mesmo período. Já no início do rush da tarde/noite, entre 17h e 18h, passaram pelo novo mergulhão 4.260 veículos. Na região da Praça Renascença foram 8.520 veículos trafegando num intervalo de uma hora.

“Ao longo desta semana, período em que os motoristas estarão se familiarizando com as novas rotas, a NitTrans está atuando no entorno do mergulhão com sete agentes, sendo dois na entrada e um na saída do mergulhão; dois na Jansen de Mello (próximo ao supermercado Guanabara) e dois no Ponto Cem Réis; além de duas viaturas; uma moto e dois reboques (um leve e um pesado)”, informou a NitTrans através de um comunicado.

Mudanças no trânsito
Quem sai de Icaraí e do Centro em direção à Alameda São Boaventura passará a contar com três alternativas para acessar a via. Já quem vai para a Avenida do Contorno, basta seguir pela Jansen de Mello. Os motoristas que seguem para a Alameda pela Marquês do Paraná podem acessar a Rua São Lourenço, Avenida Benjamin Constant e a Rua Padre Leandro (atrás da igreja São Lourenço, no Ponto Cem Réis) chegando à Alameda. Outra alternativa é seguir pela Avenida Jansen de Mello, acessar a Rua Desidério de Oliveira e a Avenida Washington Luiz. E a terceira é seguir pela Jansen de Mello, acessar o retorno próximo ao 12º BPM, virar a direita na Rua Professor Heitor Carrilho, seguir até a Rua Manoel Pacheco de Carvalho e acessar o mergulhão.

Para os motoristas que vêm da Contorno e da Alameda e precisam voltar para a Contorno terão que acessar o retorno na Praça Renascença (embaixo da Ponte Rio-Niterói). E os motoristas que fazem este trajeto e precisam seguir para Icaraí e Centro, devem acessar a Avenida Feliciano Sodré e a Avenida Jansen de Mello, como está sendo feito atualmente, ou seguirem direto pela Avenida Feliciano Sodré.

Quem sai da Ilha da Conceição em direção à Avenida do Contorno ou Alameda São Boaventura deve seguir pela Avenida Feliciano Sodré, Jansen de Mello, dobrar à direita na Rua Heitor Carrilho até a Rua Manoel Pacheco de Carvalho e acessar o mergulhão.

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