Mercado com preços nas alturas e até xepa inflacionada levam milhares de pessoas a disputar resto de comida

Com 30 milhões de pessoas com fome, crise política e econômica, inflação, desvalorização do real e alto índice de desemprego, o brasileiro ainda tem que enfrentar a ganância dos supermercados aliada a indiferença do governo.

O aumento de preços de produtos nas prateleiras, consequência desse efeito cascata, reduz mais, dia após dia, o poder de compra. Com a volta do dragão da inflação o povo brasileiro ‘paga a conta’ e precisa de muito jogo de cintura para conseguir colocar comida na mesa com dignidade.

Com o quilo do arroz e feijão custando R$ 5,99 cada e o litro de leite R$ 6,99 está cada vez mais difícil levar comida para casa. E nesse contexto os restos ou produtos da xepa, com avarias, viram opções para centenas de famílias.

O litro do leite está sendo vendido por absurdos R$ 6,99 e para uma família comprar uma caixa fechada, com 12 unidades, precisa desembolsar R$ 83,88. A caixa representa compromete 6,9% do salário mínimo, que está em R$ 1.212, quase 10% do valor total do rendimento. O mesmo acontece com o arroz, que se uma família comprar cinco quilos e cinco de feijão, gastará por mês R$ 59,90, o que compromete 4,9% do salário.

“Todos os alimentos, como arroz e feijão, vem de outros estados. Então toda vez que o diesel sobe esse preço é imediatamente repassado para o frete e os alimentos aumentam de preço. O diesel foi o combustível que mais aumentou nesse último ano, praticamente dobrou de preço. E com a luz mais cara a pessoa fica com menos dinheiro para comprar comida.

Com agricultura falida e medíocre, o estado do Rio importa muitos alimentos básicos como leite e carne. O Rio de Janeiro produz, na serra, folhagens e algumas verduras. Por isso é fundamental pesquisar preço já que há diferença entre os mercados, mesmo que alguns estejam cartelizados. Se o consumidor deixar de comprar um produto o preço vai cair. Por exemplo, o tomate, se a pessoa deixar de comprar o preço vai cair o preço. “É a lei da oferta e da procura”, contou José de Souza e Silva, especialista da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro.

A dona de casa Almerinda Souza, 64 anos, disse que nunca passou por uma crise financeira tão grande. “Eu compro as coisas no mercado e tento fazer render o meu dinheiro. As contas básicas estão caras, a carne está um absurdo e realmente e a situação no Brasil está muito preocupante”, desabafou a moradora do Centro de Niterói. Para tentar driblar a crise ela opta por produtos de segunda escolha. “Eu compro banana fora da penca, batata amassada e outros produtos que não estão completamente bons. Alguns mercados colocam em horários específicos e outros deixam o dia inteiro. Tem que saber garimpar essas promoções”, completou.

O economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Gilberto Braga, explicou que, normalmente, o que é colocado na xepa é o produto para o consumo no mesmo dia misturado com outros. “Com relação de sobras de comida isso sempre ocorreu apenas está mais presente em função da quantidade de pessoas com insegurança alimentar e desempregados e pobreza. A xepa tem mudado de característica, mudando para menos quantidade de produto e o valor do lote na xepa vai crescendo. Antigamente a gente tinha o sacolão e agora é sacolinha, com dois ou três itens. É uma forma do consumidor se defender porque o feirante tem interesse em não retornar com a mercadoria, pois se ele não vende tem que retornar no dia seguinte com o produto para feira. E ele vai abaixar o produto de qualquer jeito e normalmente produto de feira é de consumo imediato”, concluiu.

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