Meninas superpoderosas dos tatames

Elas são de Maricá e São Gonçalo e não estão em Londres. Não lutam com monstros, mas contra outras atletas de nível internacional. Ainda têm dever da faculdade para fazer e poderiam passar o tempo livre preocupadas com compras, academia e namoro, como tantas outras meninas mundo afora. Poderiam, mas elas preferiram abrir mão desta liberdade por um sonho e estão surpreendendo com seus superpoderes no tatame. Dailane Reis e Fabiana Alcântara viraram o terror de rivais mais velhas e experientes nos campeonatos de Wrestling feminino e querem escrever seus nomes na história olímpica com letras douradas.

Da dupla, Dailane Reis, 27 anos, que é de Maricá, chegou com maiores expectativas nos ombros. Algo natural para quem é considerada um fenômeno nos tatames desde os 13 anos de idade, ela foi um membro da delegação nacional na categoria 69 kg e destaque no wrestling feminino com lutas decididas nos segundos finais do último round no Campeonato Brasileiro 2017, disputado no último sábado (10), quando conquistou uma medalha de ouro. Nas disputas internacionais disputando com as melhores atletas de wrestling das Américas no Pan-Americano de Wrestling 2017, no Centro Pan-Americano de Judô, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, no início do mês passado, Dailane foi à vice-campeã pan-americana.

“O primeiro grande desafio internacional foi superado. Agora, sigo focada no ciclo de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020”, afirmou ela que é atleta do projeto socioesportivo “Niterói Wrestling” (NW) e da marinha. O próximo desafio acontece dia 12 de agosto na Copa do Iate Clube Jequia, na Ilha do Governador.

A mais nova das Superpoderosas está acostumada a quebrar barreiras desde muito cedo. Ainda na pré-escola perdeu pai, mas ganhou incentivos da mãe que é cuidadora de idosos. Aos 20 anos, mora no Pita, em São Gonçalo, e estuda enfermagem e treina. Fabiana Alcântara terminou na terceira colocação na categoria até 63kg e foi medalha de bronze no wrestling feminino no Pan-americano Júnior 2017, realizado em Lima, no Peru, no sábado (10).

“Sempre gostei de esportes. Já joguei futsal, vôlei, handebol e basquete, mas foi quando comecei o judô no Caio Martins é que me realizei. Graças ao professor Flávio Cabral, que gostou de mim, posso realizar esse sonho que está apenas no início”, disse a lutadora.

Para a presidente da liga de Wrestling do Estado do Rio de Janeiro, Tania Silva, os bons resultados internacionais dessas atletas foram conseguidos com muito sacrifício. “Sair do projeto de Niterói e conseguir estar medalhando internacionalmente é muito bacana”, disse a presidente que fez questão de agradecer aos parceiros:
“Quero agradecer ao comandante do 12º BPM, Marcio Rocha, pelo apoio e também a UPP do Jacaré que nos ajuda, através das aulas do professor Cássio Bernardo, que inclusive classificou o aluno Thalyssom Aleixo na categoria pesado entre 15 até 17 anos, representando a escola Pastor Miranda Pinto”, disse.

Tania Silva que está há 12 anos no esporte, quatro deles na presidência da Liga, diz que os alunos do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) também são atendidos pelo projeto Esporte RJ que é um trabalho do Governo do Estado, através da Liga que disponibiliza o professor Ygor Mancebo no Caio Martins para as aulas. Ela, na oportunidade, agradeceu ainda a diretora do Iepic, Renata Azevedo, e aos responsáveis pelo Caio Martins/ Suderj e as Secretarias, municipal de Niterói e estadual de Esporte e Lazer. “Todos são importantes na ajuda e fomento da luta olímpica, e para todos fica o nosso agradecimento de verdade”, concluiu Tania, que no ensejo deixou o telefone (21) 97101-7809 para outros parceiros e interessados no esporte.

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