Memes viram objeto de estudo na UFF

Geovanne Mendes –

Das redes sociais para as paredes de um museu virtual, assim são tratados os memes. Engraçados, reflexivos, polêmicos, extremamente perecíveis e agora material de estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF). Sim, é isso mesmo! A UFF criou um museu inteiramente dedicado aos memes, afinal, quem nunca se pegou rindo de algo ou algum momento transformado em tiradas divertidas nas telas dos computadores ou dos smatphones. O #MUSEUdeMEMES, como é chamado, é definido como “o maior acervo de memes brasileiros do país”. A iniciativa é composta por alunos da graduação em Estudos de Mídia e professores do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da universidade, além de alunos da pós-graduação em Comunicação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Mas para muita gente vem a grande questão: o que são e como surgiram os memes?

De acordo com o criador e coordenador do projeto, professor Viktor Chagas, o conceito de meme surgiu na década de 1970, ainda muito antes da internet, através do biólogo Richard Dawkins, em seu livro “The Selfish Gene”. Dawkins cria o conceito fazendo um paralelo com o termo “gene”, para expressar a ideia controversa de um evolucionismo cultural. De lá para cá, muitos outros pesquisadores de campos tão diversos quanto a Psicologia, a Filosofia, a Sociologia, estudaram o tema.

“Em fins da década de 1990, com a popularização da internet, algumas comunidades virtuais se apropriaram do termo e passaram a designar por meme algo completamente distinto. O meme passou então a ser compreendido como um conteúdo que circula pelas redes digitais. Com essa resinificação, passamos a ver o meme como conhecemos hoje, e, então, pesquisadores da Comunicação e da Ciência da Informação também se interessaram pelo tema, criando uma comunidade efervescente de produção de conhecimento em todo o mundo. No #MUSEUdeMEMES nós trabalhamos os memes como um acervo de conteúdos produzidos espontaneamente por internautas a partir de recombinações de outros conteúdos e referências culturais. Temos hoje mapeados mais de duzentas famílias de memes diferentes, mas o acervo ainda está em plena construção. Além disso, é sempre bom frisar que o projeto não se resume a um acervo de memes catalogados. Em nossa base de referências bibliográficas já são mais de 300 obras científicas sobre o tema levantadas, entre livros, artigos publicados em periódicos ou apresentados em congressos”, comentou o professor Vicktor.

Quem quiser visitar o museu, a entrada é franca, 24 horas por dia, sete dias por semana, no site. O acervo é aberto e de fácil consulta. De vez em quando são organizadas exposições temáticas temporárias, como a realizada no início deste ano, sobre os memes das Olimpíadas do Rio, de Londres e de Pequim.

“No futuro, pensamos em tornar a experiência virtual do museu em uma exposição física num centro cultural. Enquanto isso não acontece, seguimos com a rotina dos memeclubes, que são encontros realizados na universidade, abertos ao público, voltados para a discussão de temas afeitos ao universo dos memes. Os eventos acontecem geralmente de uma a duas vezes por semestre, com divulgação prévia no site. Do lado da pesquisa, temos recebido cada vez mais novos interessados em se unir ao projeto, jovens pesquisadores, mestrandos, doutorandos. A ideia é expandir nossas linhas de atuação para outros universos temáticos relacionados ao fenômeno dos memes de internet”, concluiu o professor e idealizador do projeto.

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