Membros da sociedade civil reagem à redução do efetivo em delegacias

Membros da sociedade civil niteroiense e da classe política reagiram de forma negativa à redução de policiais civis em delegacias de Niterói, após a suspensão do convênio do Estado com a Prefeitura de Niterói para o Regime Adicional de Serviço. Isto aconteceu ao mesmo tempo em que a Secretaria de Estado de Governo assumiu, unilateralmente, a gestão do Niterói Presente, o rebatizando para Segurança Presente.

Um dos principais problemas que deve se intensificar é a velocidade para confecção de boletins de ocorrências. Quem fez está análise foi Francis Leonardo, presidente do Conselho Comunitário de Segurança da cidade. Ele afirma que não adianta a Polícia Militar e o Segurança Presente fazerem o policiamento ostensivo se as delegacias não conseguem suportar o volume de ocorrências.

“Primeiro é o tempo de espera para confeccionar o BO. As delegacias já vinham com efetivo menor que o necessário. Com a retirada do RAS, isso vai dificultar mais ainda. Até mesmo nas investigações. Com menos homens nas delegacias, haverá menos investigação nas ruas. Não adianta o Segurança Presente e a PM fazerem o serviço e não terem agentes para apoiar na delegacia. É uma perda para o município”, destacou.

Já o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da cidade (CDL-Niterói), Luiz Vieira, disse não entender o que motivou a mudança na gestão dos dois projetos: RAS e Niterói Presente. Para ele, o fato de a cidade apresentar índices satisfatórios no que diz respeito á criminalidade deixa claro que a mudança na gestão não era algo necessário. Para ele, há motivação política.

“O governador resolveu acabar isso por questões políticas”, disse Luiz Vieira, presidente da CDL-Niterói

“Eu acho um absurdo. Essa intervenção de não renovar o convênio com o Niterói Presente e não permitir que haja a utilização do sistema do RAS é péssima para a cidade. Niterói é uma cidade tranquila, os índices estavam controlados. Havia orçamento da prefeitura para manter o funcionamento com tranquilidade com equipamentos e agentes civis contratados. O governador resolveu acabar isso por questões políticas”, analisou.

Vieira prossegue seu comentário afirmando que é humanamente impossível o efetivo que está atuando nas delegacias conseguir atender a todas as demandas do dia a dia. Para ele, a consequência disso é o atendimento insatisfatório. O presidente da CDL-Niterói ressalta que, no momento, é necessário que a sociedade civil niteroiense se una a fim de cobrar que o Estado desista de suspender o convênio com o Município para o RAS.

Presidente da Comissão Permanente de Segurança da Câmara Municipal, o vereador Dado (Cidadania) afirmou que essa é mais uma ação do governo estadual que prejudica Niterói. Ressaltando que os policiais civis que atuam em Niterói trabalham com “boa vontade”, o político explica que a medida vai prejudicar também o tipo de trabalho que os servidores das delegacias prestam à população, citando a 76ª DP como exemplo.

“Nós temos aqui no Centro de Niterói a 76ª DP com um alto volume de demanda de trabalho. E o RAS ajudava muito bem o ritmo de trabalho naquela delegacia, como também em outras. Entendo que a função do governo estadual é cuidar da segurança, mas isso, que era fruto do Niterói Presente, foi criado pelo Rodrigo Neves, e continuado pelo Axel Grael, vinha apresentando resultados extraordinários. Só que teve essa questão política. Tomara que o governador Cláudio Castro reveja essa posição”, afirmou.

Dado explicou que pretende se reunir com o presidente da Câmara, o vereador Milton Cal (PP), e com o vice-presidente da Comissão de Segurança da Casa, Renato Cariello (PDT) para discutir de que forma o Legislativo Municipal pode agir nessa questão.

Colaborou: Gabriel Gontijo

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