Médico-fotógrafo niteroiense retrata realidade dos hospitais através das suas lentes

Eternizar momentos através da fotografia. Esse foi o lema do niteroiense Ary Bassous, cirurgião geral que trabalha há 29 anos no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), que fotografou a dura e triste realidade dentro da unidade de saúde durante o período da pandemia do coronavírus. Além desse hospital, as lentes também flagraram outras realidades do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), no Rio de Janeiro, e o resultado foi reconhecido até pela National Geographic.

O médico, de 58 anos, explicou que por ser cirurgião teve um pouco mais de tempo livre nos atendimentos no Huap, que ficaram focados para os pacientes com coronavírus.

“Eu então tive a ideia de fotografar alguns momentos. Quis retratar a realidade dentro dos hospitais. Escolhi a fotografia sem cor para a cor não sobressair a informação da foto. Estamos vivendo momentos difíceis e principalmente quando isso tudo começou estávamos todos muito assustados. O volume de pessoas doentes que acabam morrendo é uma coisa chocante e precisei retratar isso”, explicou.

Ele fez mais de mil imagens registrando a rotina de pacientes e profissionais de saúde, além de ambientes completamente vazios e corredores que guardam consigo as dores e as incertezas da doença.

“Tem situações que não fotografei por não ter sentido e minha ideia não foi ser sensacionalista. Tentei ter o lado humano das coisas. O médico também tem medo e vi muitos colegas morrendo e tentei retratar isso tudo nas imagens. Fiquei muito feliz em ser reconhecido no exterior pelas fotografias e vou doar o valor que vou receber pela publicação para os dois hospitais que trabalho para justamente ajudar no tratamento do coronavírus”, pontuou o morador do bairro Jardim Icaraí.

Fotos: Ary Bassous/National Geographic

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