Médico de Niterói conta momentos em meio ao temporal de Petrópolis

“Dava para ver muitas pessoas procurando abrigo no meio da enxurrada”. Esse é parte do depoimento emocionado do médico Daniel Falcone, que mora na Região Oceânica de Niterói, e tem consultório em Petrópolis. O nutrólogo estava no dia do temporal, terça-feira (15), em atendimento na Região Serrana e contou com detalhes o que viu e como conseguiu sair ileso da tempestade.

O médico, que mora em Piratininga e vai duas vezes por semana para Petrópolis fazer atendimento, contou que a chuva começou por volta das 15h, mas se intensificou das 16h às 18h de forma ininterrupta. “Das janelas do meu consultório eu conseguia ver a Avenida Washington Luiz totalmente alagada, com mais de um metro de altura de água. Dava pra ver muitas pessoas procurando abrigo no meio da enxurrada. As águas continuaram altas até umas 20h”, contou.

Falcone disse que estava estacionado em uma rua segura e seca e não teve problema de alagamento. “Eu levei cinco horas tentando percorrer um trecho de três quilômetros. Por duas ou três vezes eu tive que fazer retorno pois não tinha passagem. E tínhamos poucas informações sobre vias de acesso liberadas. Então foi tudo tumultuado”, pontuou.

O nutrólogo contou que a situação está pior que um cenário de guerra e que a cidade está em uma situação de calamidade nítida. “Não tem trânsito, não tem energia, as pessoas estão sem comunicação. No hospital onde tem o IML as informações são de que o espaço para acomodar as vítimas que vieram a óbito já se esgotaram. Tem caminhão frigorífico para fazer o acolhimento dos corpos até que sejam identificados. Ainda há muitos desaparecidos. Um colega que trabalho descreveu o cenário como a situação pior que um cenário de guerra. Os hospitais particulares abriram as portas para ajudar as vítimas”, lembrou.

Foto: Tânia Rego

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