Médico Carlos Chagas poderá ganhar museu em sua homenagem

A cidade de Niterói poderá ganhar, em breve, o Espaço Cultural Carlos Chagas, que seria uma espécie de museu em homenagem ao sanitarista Carlos Chagas, que teve uma breve passagem pela cidade de abril de 1904 a março de 1905. O local escolhido é o Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Sousa, também chamado de Instituto Intercultural Brasil-China, em Charitas, onde no passado funcionou o Hospital Marítimo de Santa Isabel, criado em 3 de janeiro de 1853, época do Império. O projeto está sendo montado por médicos doutorandos da Universidade Federal Fluminense (UFF) com apoio da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Acamerj).

O projeto está sendo coordenado pela Dra. Aurea Grippa, responsável pelo grupo de pesquisas sobre a passagem de Carlos Chagas em Niterói da UFF, que prevê o término do documento para março de 2020.

“Vamos terminar esse projeto e entregar as lideranças do Governo do Estado do Rio para conseguirmos efetivar esse museu em uma sala da escola. Queremos com isso resgatar a história desse espaço, que funcionou um grande hospital datado da época do Império, homenagear o Dr. Carlos Chagas e fazer disso um centro de memória da medicina de Niterói”, explicou.


A pesquisadora informou ainda que a ideia surgiu após uma pesquisa do próprio grupo sobre ciências cardiovasculares da universidade.

“Nós nos deparamos com essa história e ficamos encantados. Fizemos um grande material e entregamos para a direção da escola, que mostrou interesse no projeto. Sugerimos uma sala para a montagem do museu e nós iríamos fazer a reforma”, completou.

A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) foi questionada sobre o assunto mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

Já o presidente da Acamerj, Luiz José Martins Romêo Filho, também foi procurado pela reportagem e confirmou o interesse no projeto, que ele classificou como brilhante.

“Está em fase de produção. A sala seria usada para exposição fotográfica com imagens do Dr. Carlos Chagas e do próprio hospital, além de ser um local para reuniões científicas para médicos. Iríamos colocar documentos e até mesmo pertences pessoais do cientista que marcou a história da medicina”, frisou.

HOSPITAL MARÍTIMO DE SANTA ISABEL

De acordo com o grupo de pesquisa Memória da Administração Pública Brasileira (Mapa) o Hospital Marítimo de Santa Isabel foi criado em 3 de janeiro de 1853 e destinava-se ao tratamento dos tripulantes e passageiros dos navios nacionais ou estrangeiros que aportavam no Rio de Janeiro afetados ou sob suspeita de doenças infectocontagiosas. (…) A questão da salubridade ganhou maior evidência quando o Rio de Janeiro foi acometido pela epidemia de febre amarela em 1849 e 1850, cuja intensidade paralisou muitos de seus serviços. O processo de urbanização e a maior concentração populacional verificados desde a transferência da Corte para o Brasil sem dúvida contribuíram para a devastação da epidemia, o que colocou a higiene da cidade como um problema para o governo imperial.

“Nessa unidade eram tratadas as doenças como peste bubônica e malária, por exemplo. E escolhemos o Dr. Chagas como patrono pela importância que ele teve para a medicina. Ele trabalhou no hospital e foi considerado como o primeiro cientista translacional, que passou por todas as bancadas dentro da medicina, inclusive com a descoberta de doenças, como a de Chagas, que ganhou seu sobrenome, através das lesões cardíacas”, completou a coordenadora do projeto, Dra. Aurea Grippa.

De acordo com o Portal Pebmed, Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas nasceu em Oliveira, em Minas Gerais, no dia 9 de Julho de 1879. Filho de cafeicultores, formou-se médico na então Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e teve como um dos seus grandes mestres Oswaldo Cruz. Sob sua tutela, iniciou estudos sobre a malária e técnicas de sanitarismo para reduzir as epidemias próximas a áreas urbanas. Durante uma expedição a Minas Gerais, cidade de Lassance, se deparou com uma doença até então desconhecida: começava aí a descrição da Doença de Chagas. Ter descoberto todo o processo da doença, seu vetor, o protozoário e todo o ciclo foi uma descoberta incrível, quanto mais para um médico no início do século XX.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 4 =