Medicamentos contra o câncer roubados entre Santa Rosa e SP

Augusto Aguiar

Uma carga avaliada em cerca de R$ 5 milhões, em medicamentos para tratamento de leucemia crônica e tumores gastrointestinais, produzida pelo Instituto Vital Brazil, em Santa Rosa, foi roubada no trajeto entre a Zona Sul de Niterói e a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. A polícia já estaria investigando caso. O transporte estava a cargo da empresa Airway Transportes, que teria comunicado o extravio no dia 21 de novembro.

De acordo com a assessoria de comunicação do Instituto Vital Brazil, o medicamento, chamado Imatinibe, foi roubado no dia 21 de novembro. A transportadora comunicou que o caminhão que transportava 86.450 comprimidos de 400 mg do medicamento não havia chegado ao destino, sem informar onde teria ocorrido o roubo.

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Para que o Estado de São Paulo não ficasse desabastecido do medicamento, o Instituto Vital Brazil trabalhou para liberar 57 mil comprimidos de um estoque estratégico. A carga teria seguro, o que, segundo a assessoria de comunicação, não trará prejuízos financeiros. Há cerca de três anos o instituto produz o medicamento nas versões de 100 e 400mg, que são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os custos do uso do medicamento em clínicas particulares estariam estimados em cerca de R$ 10 mil mensais, sendo que em casos de doença crônica ele deve ser ministrado de forma ininterrupta. Os resultados são considerados por especialistas como positivos.

Em nota, o Instituto Vital Brazil questionou oficialmente a transportadora e informou sobre o extravio à Polícia Federal. Desde 2013 o IVB produz o medicamento nas apresentações 100 e 400mg para serem distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Polícia Federal informou que foi comunicada sobre a ocorrência registrada na 56ª Delegacia de Polícia Civil do Estado de São Paulo para o fim exclusivo de controle administrativo dos produtos químicos envolvidos. Ressaltou que, após avaliação do setor técnico, verificou-se que nenhuma das substâncias constam no rol de produtos controlados pela PF.

No último dia 13 de dezembro, policiais prenderam em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, dois diretores de uma empresa acusados de revender pela Internet medicamentos destinados ao combate ao câncer. Os agentes afirmaram na ocasião que os medicamentos eram roubados. A investigação descobriu que um dos lotes do medicamento deveria ser usado para tratar pacientes em hospitais públicos, mas havia sido desviado. A denúncia fora feita pela própria fabricante do remédio, que descobriu os pregões do produto na internet. Um pote com 70 comprimidos nesses pregões estaria sendo cotado em cerca de R$ 10 mil. Os diretores da empresa surpreendidos pela polícia foram presos e autuados por receptação e crime contra a saúde pública. A polícia ainda apreenderam medicamentos de um lote furtado esse ano e outro que abasteceria a rede pública de saúde.

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