Marvel demite ilustrador brasileiro após obra pró-Bolsonaro e antissemitismo

Joe Bennett trabalhava na Marvel há 25 anos e foi desligado após polêmicas em suas ilustrações

O ilustrador brasileiro Joe Bennett, conhecido mundialmente pelo trabalho no HQ O Imortal Hulk, foi desligado da equipe criativa do quadrinho Timeless e da Marvel Comics. A editora não se pronunciou sobre a decisão, mas o comunicado ocorreu após o roteirista Al Ewing se negar a trabalhar com Bennett, alegando antissemitismo num quadrinho do ilustrador brasileiro que foi publicado em fevereiro deste ano.

Obra pró-bolsonaro

Em 2017, o ilustrador publicou, em suas redes sociais, um desenho do presidente Jair Bolsonaro na figura de um herói que lutava contra outros políticos brasileiros e os decapitava. “Esta não foi a primeira vez que tive ciência de um problema com o Joe. Tenho falado por trás das cenas, mas isso não conforta as pessoas que são as vítimas dessa propaganda brutal,” afirmou Ewing durante uma recente entrevista.

Joe Bennett é um entusiasta apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Mesmo ciente de que o político já possuía um extenso currículo de declarações de cunho homofóbico, racista e machista, isso não impediu que Bennett, em 2017, divulgasse uma arte, produzida por ele próprio, manifestando seu apoio ao então candidato à presidência.

Na ilustração é possível ver Jair Bolsonaro de armadura, montado em um cavalo e com uma espada reluzente, “como um salvador”, perseguindo e matando seus opositores políticos, dentre os quais destacam-se os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Ilustração de 2017 voltou a causar polêmica nas últimas semanas entre leitores norte-americanos

O desenho é de 2017, mas voltou a circular e ganhar força nas redes sociais nas últimas semanas, principalmente entre os leitores norte-americanos. Uma das principais críticas à ilustração, além do que já é bastante óbvio, é que, durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus eram comumente associados a ratos, sendo retratados em caricaturas com o nariz grande e outras características dos roedores, por parte dos nazistas. Essa semelhança nas duas críticas deu origem à acusação de antissemitismo sugerida por Ewing.

Somado esse detalhe ao fato de, na ilustração, Bolsonaro estar exterminando os seus inimigos políticos, o resultado passou a ser considerado algo desagradável. Obviamente não podemos afirmar que foi essa a intenção de Joe ao produzir a ilustração. Ele pode não ter tido a intenção de propor tal contexto, mas isso não diminui a extrema infelicidade do desenho, especialmente para alguém que já havia sido acusado anteriormente de disseminar propaganda antissemita através de sua obra.

Antissemitismo

Bennett voltou a causar polêmica em fevereiro deste ano, dessa vez devido a algumas artes de Imortal Hulk #43. Na história, uma personalidade do Hulk rouba dinheiro e depois gasta o valor em Joias raras para dar um golpe. No entanto, o problema está na forma como o desenhista retratou a joalheria que deveria se chamar “Cronenberg’s Jewelry” (Joias Cronenberg, em uma tradução livre). Porém como Bruce Banner está na frente da letra “L” e a vendedora cobre a letra “Y“, é possível ler “Jewer” (Judeu) no lugar de “Jewelry” (Joia).

Ilustrador brasileiro foi acusado de antissemitismo após polêmica em recente quadrinho

Para completar, na vitrine da loja também está estampada a Estrela de Davi, símbolo fortemente ligado ao Judaísmo. Imediatamente após a publicação da HQ, diversos leitores criticaram o desenhista e o acusaram de antissemitismo, por estar perpetuando um estereótipo de que judeu só pensa em riqueza, uma vez que a história era sobre a personalidade do Hulk estar dando golpes para conseguir dinheiro.

Bennett usou as suas redes sociais para comentar a polêmica, pedir desculpas e destacar que tudo não passou de uma “infeliz coincidência.”

One thought on “Marvel demite ilustrador brasileiro após obra pró-Bolsonaro e antissemitismo

  • 17 de setembro de 2021 em 05:06
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    Que azarado! O cara erra de propósito a palavra e por engano desenha uma estrela de David, usa uma estética nazista num desenho pra apoiar um político fascista.

    Parece o Secretário de Cultura do Bolsonaro, que por coincidência repetiu a estética e o discurso de Goebbels.

    E ambos só foram demitidos porque judeus – esses vitimistas – identificaram esses óbvios símbolos nazistas, do contrário ainda estariam felizes e empregados.

    Resposta

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