Martine Grael percebe corrente marítima e muda estratégia na largada: “Igual a Niterói”

Decisão de ir para o lado oposto dos outros barcos veio após Martine observar a corrente: “Nasci em Niterói, por isso sei que a diferença na corrente favorece um lado”

Na largada para a regata da medalha da classe 49erFX dos Jogos Olímpicos de Tóquio, nove embarcações foram para o lado esquerdo da raia e só uma para o lado direito. Essa embarcação era justamente a de Martine Grael e Kahena Kunze que, em uma estratégia ousada, conseguiram se posicionar entre as líderes da regata, se mantendo ali até chegar em terceiro lugar e consolidar a conquista do bicampeonato.

De acordo com Martine Grael, a estratégia começou a ser elaborada antes das atletas se dirigirem para a água, quando viu uma movimentação diferente na corrente de água. A atleta lembrou de Niterói, sua cidade natal, onde Martine começou a competir ainda muito jovem.

“Eu dei uma olhada no píer antes de entrar na água e vi que tinha uma diferença na corrente. Sou do Rio, nasci em Niterói, e sei que a diferença na corrente favorece um lado, aqui poderia ser igual a Niterói. Ali, na largada, optamos então, por ir pela direita, estávamos mais livres. Ter ido rápido e livre no começo foi a chave para tudo, porque estava com pouco vento”, explicou Martine.

Mudança de estratégia foi decisiva para a conquista do ouro

O ouro foi conquistado com um total de 76 pontos perdidos. A medalha de prata ficou com as alemãs Tina Lutz e Sussan Beucke, com 83, e o bronze foi para as holandesas Annemiek Bekkering e Anette Duetz, com 88.

Há cinco anos, na Rio 2016, Martine e Kahena também conquistaram a medalha de ouro com uma estratégia ousada, projetando, durante a regata, uma mudança de rumo. Na ocasião, foi o pulo do gato para assumir a primeira posição e garantir o título em casa.

Para Kahena Kunze, ter um ídolo como Robert Scheidt, dono de cinco medalhas olímpicas na carreira, foi essencial durante a competição. O resultado de Kahena e Martine as colocou no patamar de Robert e também de Torben Grael, que são bicampeões olímpicos.

“Ele mostrou, de novo, para gente que não tem idade, se você estiver preparado, você pode fazer muita coisa. Ele é um dos meus ídolos”, afirmou Kahena.

No início da regata, as brasileiras, que optaram por uma estratégia diferente das adversárias, assumiram a ponta, mas com o barco da dupla Argentina muito próximo. As holandesas ficaram distantes das brasileiras Na primeira boia, as brasileiras contornaram na terceira colocação, à frente das rivais diretas pelo título. Nesse momento, a regata foi praticamente decidida.

Martine percebeu corrente marítima semelhante à existente em Niterói

Martine Grael e Kahena Kunze foram consistentes durante toda a competição. Nas 12 regatas, a dupla brasileira conquistou duas vitórias e sempre estiveram entre as primeiras colocadas. Chegaram na última regata dependendo apenas de si para conquistar a medalha de ouro, embora estivessem empatadas em pontos (atrás no critério de desempate) com a Holanda.

A conquista representa o oitavo ouro da vela brasileira na história das Olimpíadas, mantendo a modalidade como a mais dourada do país. Além dos oito ouros, são três pratas e oito bronzes, somando 19 medalhas no total.

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