Mário Sousa: Nossa história abandonada

Peguei um gancho da Coluna Painel do Jornal A Tribuna, que expõe alguns centros culturais fechados em Niterói como o Museu da Imprensa. Reforço a lamentável realidade do que vem acontecendo e que ocorreu nas últimas décadas: o abandono e o fim de vários equipamentos históricos e culturais da cidade.


Começo com o Teatro Leopoldo Fróes, teatro em homenagem ao ilustre ator de Teatro e Cinema e compositor, que nasceu em Niterói no dia 30 de setembro de 1882. Começou sua carreira em Portugal e no Brasil teve grande sucesso. Fundou o Retiro dos Artistas. Hoje esquecido totalmente, inclusive a data de seu nascimento.


O Teatro Leopoldo Fróes virou um prédio fantasma, inclusive com um princípio de incêndio, que quase acaba de vez com o teatro. Patrimônio da Arquidiocese, que não quis renovar o convênio com a Prefeitura de Niterói, apesar de várias manifestações da classe artística da cidade. Este teatro foi o maior laboratório dos artistas de Niterói. De lá surgiram grandes nomes que se destacaram nacional e internacional. Lamentável!


Na continuidade de teatro, a Universidade Federal Fluminense (UFF) comprou com um preço exorbitante o Cinema Icaraí, até hoje largado, fez uma grande reforma no seu Centro de Artes e, no entanto, abandonou o Teatro do DCE, único espaço vivo de cultura para experiências dos universitários.


A Companhia de Eletricidade (CERJ), que foi vendida a “moeda podre” pelo governador Marcelo Alencar para a Ampla. Esta nova empresa a primeira coisa que fez foi acabar com um dos poucos museus de Eletricidade do País, que funcionava no Fonseca. Até hoje não se sabe o que fizeram do acervo. A Ampla também acabou no Centro da cidade com uma Sala de Cultura e despejou a Associação Fluminense de Belas Artes, no Ingá. Tudo ficou por isso mesmo.


No centro também, depois de vários imbrólios, a Casa Norival de Freitas deixou de ser um centro Cultural, foi fechada, está prestes a cair, mas espera a restauração para ser o Centro Arthur Maia.


Ainda nesta linha de descaso, o Governador Sergio Cabral e o presidente da Imprensa Oficial, Haroldo Zagher, despejaram o Museu da Imprensa, que funcionava em um prédio da Imprensa Oficial, no centro. Apesar de várias críticas e apelos, o Museu perdeu a sede e as peças continuam guardadas pelo criador do Museu, o jornalista Jourdan Amóra.


No mesmo ritmo de governo estadual, o destacado Museu Antonio Parreiras, com um rico acervo do próprio pintor, está há quase de 5 anos fechado, caindo aos pedaços, sem uma iniciativa do atual Governo do Estado para recuperá-lo.
Antonio Parreiras foi aluno do artista alemão Georg Grimm. Em 1884, abandonou a Academia, acompanhando seu mestre e um grupo de discípulos para formarem o Grupo Grimm, marco da pintura de paisagem na arte brasileira. No fim do século XIX, fundou em Niterói a Escola do Ar Livre. É uma referência internacional como artista e de uma época.


Sob a responsabilidade do Estado, o Museu do Ingá parece um “prédio fantasma”, desde que ali deixou de funcionar a sede do Governo do Estado com a fusão. Lá funcionava o Museu de Artes e Tradições com peças de destacados artesões, como o niteroiense Adalton Lopes. Acabaram com este Museu e sobre as peças poucas estão expostas. Cadê todo o acervo?


Já onde funciona hoje a Secretaria municipal de Educação, por um bom tempo, no alto, tinha uma placa “Museu da Cidade”, que nunca funcionou nem lá e nem em lugar nenhum de Niterói. Salvo engano, o Museu foi votado na Câmara e não passou disso. Tempos depois tiraram a placa do alto e nada mais.


Da lista, outros museus já funcionaram na cidade como o de Arte Sacra na catedral de São João, o Museu da Moda, o Museu do Bonde.
E assim a história de nossos patrimônios vai sendo recontada!

Mário Sousa é jornalista e escritor.

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