Marinha suspende buscas pelos pescadores desaparecidos contrariando familiares

Geovanne Mendes –

Uma notícia divulgada na tarde de ontem pela Marinha do Brasil, deixou os familiares das vítimas do naufrágio do navio pesqueiro “Nossa Senhora do Carmo I”, que naufragou no dia 8 de novembro, na área marítima de Angra dos Reis (RJ), sem reação e desesperados. Acontece que a Marinha, por meio do Comando do 1º Distrito Naval (Com1ºDN), decidiu suspender por tempo indeterminado, as buscas pelos três tripulantes da embarcação. Desde o dia do incidente, a Marinha realizava uma varredura na região para localizar os desaparecidos. Na embarcação havia 23 tripulantes a bordo, sendo 18 deles resgatados com vida pela embarcação pesqueira “Costa Amêndola”, que se encontrava nas proximidades no momento do ocorrido, e cinco desaparecidos. A MB conduziu uma Operação de Busca e Salvamento de forma ininterrupta, desde o dia 9 de novembro, quando o Salvamar Sueste tomou conhecimento do naufrágio, resgatou dois corpos, restando os três desaparecidos que ainda não foram encontrados. Filho do pescador José Alves da Silva, Thiago de Souza Alves, de 28 anos, denuncia a falta de notícias aos familiares das vítimas pela Marinha e pela empresa dona do barco.

“Estamos literalmente à deriva. Me sinto destruído, fiquei sabendo agora pela A Tribuna sobre a suspensão das buscas ao corpo do meu pai e dos seus amigos. A Marinha e a empresas envolvidas ainda não nos prestaram qualquer tipo de apoio, principalmente psicológico. Queremos saber quanto tempo vai durar essa investigação. Queremos tudo às claras, mas ninguém nos informa nada, todos estão tirando o corpo fora, enquanto isso sofremos a dor pela falta de informações sobre os nossos familiares”, disse Thiago.

“Foram empregados os meios: Navio-Patrulha “Macaé”, Navio-Patrulha “Gurupá”, helicópteros SH 60 e UH 15 da MB e uma aeronave (C-130) da Força Aérea Brasileira (FAB), que fizeram uma varredura na região marítima sul do Estado do Rio de Janeiro, cobrindo uma área que vai de Guaratiba a São Sebastião. Também foi emitido Aviso aos Navegantes, para que embarcações que se encontrem na região apoiassem as buscas.Não houve nenhum dado novo que pudesse reorientar a procura pelos desaparecidos, porém as buscas poderão vir a ser retomadas caso surjam novas informações.A Marinha lamenta o ocorrido e esclarece que as causas e responsabilidades estão sendo apuradas em Inquérito já instaurado”, disse a nota da Marinha do Brasil.

Serviços não cadastrados, reparos que deveriam ser feitos e outras possíveis irregularidades estão sendo levantadas pelas famílias dos pescadores, que querem respostas sobre essas questões. Segundo os parentes, o barco estaria fazendo serviços também para a fábrica Gomes da Costa, de atum e sardinha. O dono do estaleiro, Altamir, teria se reunido com representantes da fábrica para pedir um posicionamento para as vítimas. “As duas empresas estão querendo ‘por o corpo fora’ dessa responsabilidade. Só sei que queremos uma resposta para essa questão”, comentou um familiar que não quis se identificar.

O dono do estaleiro foi procurado pela equipe de reportagem de A TRIBUNA, mas informou, por contato telefônico, que não queria comentar o assunto. Já a Gomes Gosta informou em nota que não é a proprietária do barco e não tem embarcação operando no Brasil. A empresa compra os produtos – sardinha e atum – de armadores da região. “A GDC, por solidariedade e total censo humanitário, se colocou, via Sindicado dos armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região, à disposição para ajudar no que for preciso”, informa a nota. Questionada pela reportagem se teria comprado ou iria comprar peixe do barco que naufragou (Nossa Senhora do Carmo I), a empresa não respondeu.

O ACIDENTE
Dezoito tripulantes da embarcação pesqueira “Nossa Senhora do Carmo I” sobreviveram ao naufrágio da última quarta-feira. O barco tinha 23 pessoas a bordo e estava na região de Angra dos Reis (RJ), a cerca de 70 km da Ilha Grande, após período de pesca no litoral de Itajaí, em Santa Catarina. O grupo foi resgatado pela embarcação “Costa Amêndola” e levado até o porto da Ilha da Conceição.

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